Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Entrar para a Banda

  • Nome: João Pacheco Mouzinho

  • Ano de nascimento: 87 anos (em 2010)

  • Residência: Portalegre (Freguesia de Alegrete).

  • Actividade profissional: Reformado (funcionário da EDP).

  • Função na Sociedade Musical Euterpe: Antigo músico

  • Entrevista: 2010/2/10_ Portalegre_Sede da Sociedade Musical

"Em 62, na Páscoa de 62, dia de Páscoa de 62. Encontro-me com eles ali casualmente, com o regente (que era o Sargento Baptista – é António Baptista, salvo erro) e um executante também já de certa idade – Dias Ferreira. Encontro-me ali com eles, casualmente: – eh, Sr. Mouzinho por aqui! – Sr. Mouzinho por acolá e tal, etc. E eles já tinham conhecimento que eu que tinha deixado a banda da minha terra, já tinham conhecimento disso. E tinham, naquela altura, muita falta de elementos. A Banda Euterpe, naquela altura, estava muito pobre, muito pobrezinha, muito pobrezinha, em todos os aspectos. E então quando aparecia um músico qualquer nestas condições e coiso eles tentavam logo ver se o apanhavam, não é?

E então falaram-me nisso, tal e até digo mais: eu vinha à pergunta deles! Eu vinha à pergunta deles. Vinha à pergunta deles e expliquei. Porque eu também tinha um conjunto, uma orquestra, que trabalhávamos muito na Beira Baixa e utilizava-me – eu tocava nessa orquestra violino mas –, utilizava-me muito de um trombone, de um instrumento de sopro, porque fazia falta, por vezes, desdobrar um outro de instrumento. E então eu, quando saí de lá – eu utilizava o instrumento de lá da colectividade mas depois, como me vim embora, eu não quis utilizar mais o instrumento de lá – então desloquei-me a Portalegre com a ideia de ver se os encontrava (alguém da direcção cá da Banda Euterpe) para lhe pedir, por empréstimo, por meia dúzia de dias até que eu comprasse outro trombone, pra lhe pedir o instrumento tal, e até porque tínhamos um serviço mesmo segunda-feira de Páscoa na Beira Baixa, em Segura. E isto foi dois dias ou três do domingo de Páscoa, foi no Sábado, e encontrei-os. Mas eles é que me chamaram. Eu vinha à pergunta deles, mas eles é que me chamaram: eh, Joãozinho (…). – E eles disseram-me: – andávamos mesmo à sua procura! – E eu disse: – olhe! E eu a ver se os encontrava! [Risos] – Então diga lá o que é que o senhor precisa de nós. – Digo: – Não. O senhor é que me disse primeiro que andava à minha procura. Portanto, eu agora quero ouvi-lo primeiro. O que é que o senhor diz? – Lá me disseram: – olhe, tenho conhecimento que o senhor deixou de tocar lá na banda da sua terra – ou não sei quê, não sei que mais – e, neste momento, estamos em precárias circunstâncias com falta de quem toque um trombone. – E aquilo deu mesmo uma coisa com a outra! Eu, como vinha à pergunta deles, pois evidente, disse logo: – sim, senhora. Eu estou inteiramente ao vosso dispor. O que precisar conte comigo –e tal. – Ah, vem sim, senhor! Então, agora, vai-me dizer o que é que o senhor precisa de nós.Olhe – e também abri-me, fui franco –, olhe e eu vinha propositadamente à vossa procura, precisamente por isto assim, assim… – Sim, senhor! Venha agora connosco e já vamos lá à sede que vai escolher lá o instrumento que quiser que há alguns quatro pendurados. E o senhor escolhe lá um – e tal. Assim foi. E assim é que eu dei entrada nesta colectividade da Euterpe."

 

 

 

 

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