Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Entrar no Grupo de Cantares

  • Nome: Vítor Alberto Aragonês Miranda
  • Data de Nascimento: 1967
  • Residência: Portalegre (freguesia da Sé).
  • Actividade profissional: Professor de Educação Musical.
  • Função no Grupo de Cantares: Director musical, músico.
  • Entrevista: 2010/2/11_ Portalegre_Sede do Grupo de Cantares

 "Eu comecei a ter contacto com a música por volta, penso que talvez, pelos onze anos quando comecei a aprender acordeão. Comecei a tocar acordeão nessa altura. E, portanto, pouco tempo, depois comecei, sei lá, pelos treze, treze e pouco, comecei a fazer parte das tocatas dos ranchos folclóricos aqui da região. Primeiro no rancho que era o Rancho da Estação, aqui da estação de Portalegre (que passou para a Urra, portanto, o Rancho da Urra) e depois, mais tarde, toquei igualmente no Rancho da Boavista, aqui de Portalegre.

Situação, por exemplo, que me deu logo desde muito cedo alguma independência, porque tocando nos ranchos folclóricos (os tocadores sempre foram pagos) e, portanto, eu sempre tive algum dinheiro no bolso. Portanto, durante a minha adolescência eu nunca pedi dinheiro aos meus pais, graças a isso. Eu costumo contar esta história: lembro-me claramente de um concerto dos Trovante, em Portalegre, que eu não fui ver (já teria os meus dezasseis, dezassete anos) porque, naquela altura, não tinha dinheiro e não fui capaz de pedir dinheiro aos meus pais (que eles me dariam certamente), mas como nunca pedi dinheiro aos meus pais, não fui capaz de pedir. Portanto, sempre tive dinheiro para os gastos.

No Secundário, aí pelos dezasseis, dezassete, mais coisa menos coisa, ingressei no Conservatório. Em Castelo Branco fiz o Conservatório e terá sido também, mais ou menos por essa altura, que ingressei no Grupo de Cantares.

A nível do Conservatório, portanto, fiz o curso em nível de instrumentos – portanto fiz canto – fiz todas as disciplinas do curso –, fiz canto, fiz piano geral. Depois, a dada altura, que na altura gostava, o que eu perspectivava ou o que eu queria era ser músico, era ser instrumentista. Então, achei que estando a tocar piano, na altura, mais ou menos, não sendo nenhum especialista – razoável –, fiz o exame, penso que com dezasseis, mas pensava: “bom, para tocar a sério, para ser instrumentista, para ser pianista, tenho que ser muito melhor do que isto. Isto, não vou ser”. Então resolvi mudar de instrumento e, portanto, deixei o piano e comecei a fazer contrabaixo. E fiz o curso de contrabaixo. Foi o curso, entretanto, que fiz e que terminei.

Portanto, fiz Conservatório, tenho essa formação clássica. Sou professor de Educação Musical no Ensino Básico. E foi por altura do Secundário que (lembro claramente por ouvir de um dos membros, do Alfaia, que faltava o acordeonista, ou melhor, o acordeonista que cá estava, de vez em quando, baldava-se) me convidaram a vir para o Grupo de Cantares e, portanto, desde essa altura que estou então no Grupo de Cantares.

O Grupo de Cantares tem agora vinte e sete, salvo erro, vinte e sete anos e eu entrei para o Grupo de Cantares já, sei lá, vinte e cinco anos e meio… Vinte e seis anos. Mais de metade da minha vida é já passada com o Grupo de Cantares.

Eu costumo dizer que a par da formação e da educação que recebi dos meus pais, esta foi a formação que mais contribuiu para a minha formação enquanto homem. Não só enquanto pessoa ligada à música mas, acima de tudo, em termos de personalidade, de carácter. As pessoas que acompanhei ao longo destes anos – pessoas, portanto, de diversas origens, em termos de profissão bastante diversificadas também –, mas, em termos de grupo, sempre funcionaram bastante bem, pessoas bastante responsáveis e que me incutiram essa mesma responsabilidade. E, portanto, foi claramente um processo de formação e bastante importante na minha vida e, portanto, logo nessa altura, quando ingressei no grupo, senti-me claramente integrado e isso foi decisivo, penso eu, para ainda hoje, vinte e cinco ou vinte e seis anos depois, continuar cá, não é?"

 

 

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