Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O coelho

nome:
Maria Augusta
ano nascimento:
1932
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                 
distrito:
Évora
data de recolha: 2007
 
 

Dados de inventário
  • O coelho
  • Mora

    "O coelho" -  Um coelho arranja um estratagema para fugir aos seus predadores mas o seu nervosismo acaba por denunciá-lo.

    Maria Augusta; Mora; Concelho de Mora, Évora

    Registo 2007.

Transcrição
  • O Coelho

     

    Era um coelho. Vivia tão triste, tão triste, tão triste, tão triste, coitadinho! Já não sabia o que havia de fazer à vida! Eram as raposas, eram os lobos, eram os caçadores! Era tudo! Tudo queria era comer o pobre do coelho! E o coelhinho, coitado, cheio de sede, cheio de fome.

    Coelho – É pá! Uma ribeira ali tão perto, tão boa a água! Mas como é que eu lá chego?

    Estudou a maneira... Estava já tão cheio de fome e tão cheio de sede... Descobriu.

    Coelho – Espera aí! 'Tão ali umas colmeias, têm mel. E eu vou lá, emborralho-me no mel e rebolo-me nas folhas e hei-de arranjar um capote!

    Tal e qual! Chegou lá, rebolou-se no meio lá de uma colmeia, cobriu o pêlo de mel, rebolou-se no chão, tapou-se de folhas e aí foi ele! Chegou-se à ribeira, ali é que foi beber água!

    Chegou a raposa ao pé dele:

    – Ó compadre folharascas! Bom dia, ó compadre folharascas!

    Ele olhou pra ela.

    Raposa – Eh, compadre folharascas! Atão 'tás com sede? – Nada!

    Disse a raposa:

    – Hmmm... És muito esperto, mas a mim não me enganas tu! 'Tás aí com um belo sobretudo novo... Deixa que as abelhas já te vêm dizer como é que é!

    Coelho – É caramba! – O coelho pensou. – Agora vêm as abelhas e o que é que me fazem?!

    Fisssst! Começou a fugir. Acabou por morrer da mesma maneira, porque é tão simples o coelhinho, coitadinho! Nem soube ser compadre folharascas! Assim morreu miseravelmente, não 'teve habilidade para se defender!

     

    Maria Augusta, 75 anos, Mora, (conc. Mora), Junho de 2007.

     

Caracterização
    • Classificado segundo o sistema internacional de Aarne-Thompson:**74 D (Hansen) O Coelho tem sede e quer beber num rio guardado pelo tigre.

     

    • Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.
Identificação
  • O coelho
  • Maria Augusta
  • 1932
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mora, Casa da Cultura de Mora
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

     

    - Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

    - Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

    - As lendas vão à escola - 2005

    - O Talego Culto - 2007

    - O Talego ambiental - 2007 a 2008

    - Comunidade do Canto do Lume

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa
Arquivo
  • 31/49:41 - 51:23
  • 1/Mora 2011/Mora6

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