Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O Pedro e o conde

nome:
Maria Augusta
ano nascimento:
1932
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                 
distrito:
Évora
data de recolha: 2007
 
 

Dados de inventário
  • O Pedro e o Conde
  • Mora

    "O Pedro e o Conde" -  Pedro é um menino que tem o mau hábito de mentir, mas o seu patrão tem uma estratégia para fazer a verdade prevalecer.

    Maria Augusta; Mora; Concelho de Mora, Évora

    Registo 2007.

Transcrição
  • Pedro e o Conde

     

    Era o senhor conde. E um dia o que é que se lembrou?

    Conde – Ando aborrecido de viver sozinho. Vou arranjar um rapazito pa' andar comigo a passear.

    Naquele tempo não havia automóveis. O que é que ele faz? Vai à próxima vila, ali às Brotas, e então encontrou um rapazinho chamado Pedro. E disse-lhe assim:

    Conde – Como é que tu te chamas, meu menino?

    Pedro – Eu chamo-me Pedro.

    Conde – Atão... Tu queres ir pa' meu criado?

    Pedro – Não, senhor. Não quero.

    Conde – Vai, que vais muito bem! Comes, bebes, andas sempre mais eu. Deixas de andar assim tão pobre, tão mal arranjadinho. Anda, vem comigo!

    O rapaz começou a pensar: " 'pera aí! Eu se calhar faço bem". E aceitou. Foi-se embora mais o Senhor Conde. Mas atão o moço tinha um grande defeito! Era muito mentiroso!

    Um belo dia, andava a passear mais o patrão ali por um grande vale e disse para o patrão:

    – Ó patrão! De manhã, vim passear aqui. E vi aqui sete raposas! Neste vale.

    O patrão calou-se. Andaram mais à frente, disse-lhe o patrão assim:

    – Ó Pedro! Olha que nesta herdade há uma ponte. E essa ponte tem um condão. Quem mentiu já neste dia, quando chegar e pisar a ponte, a ponte abre-se! E a pessoa vai pò fundo e morre!

    E o rapaz ficou... Pensou: "'pera aí"!

    Dali um bocadinho voltou-se pò patrão e fez assim:

    – Ó patrão! Não eram sete raposas! Eram só cinco!

    Conde – 'Tá bem.

    Lá mais pra diante torna o patrão a dizer-lhe:

    – Ó Pedro! Olha que já não vamos muito longe da ponte...

    Mais um bocadinho, disse para o patrão outra vez:

    – Ó patrão! Não eram nada cinco raposas! Eram só três!

    Conde – 'Tá bem, pronto.

    Quando iam já mesmo a chegar ao pé da ponte, disse-lhe o patrão assim:

    – Olha, Pedro! Olha a ponte!

    Ele voltou-se com uma grande liberdade e disse para o patrão:

    – Ó patrão! Nem eram sete, nem eram seis, nem eram cinco, nem era nenhuma! Eu nem vi raposa nenhuma!

    Ainda hoje lá vivem! E a mentira foi à vida! Portanto, vale mais uma verdade que trinta mentiras. É assim. A primeira 'tá terminada.

     

    Maria Augusta, 75 anos, Mora, (conc. Mora), Junho de 2007.

Caracterização
    • Classificado segundo o sistema internacional de Aarne-Thompson: ATU 1920 J  Ponte Reduz a Mentira.

     

    • Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.
Identificação
  • O Pedro e o Conde
  • Maria Augusta
  • 1932
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mora, Casa da Cultura de Mora
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

    - Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

    - Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

    - As lendas vão à escola - 2005

    - O Talego Culto - 2007

    - O Talego ambiental - 2007 a 2008

    - Comunidade do Canto do Lume

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa
Arquivo
  • 28/30:40 - 33:50
  • 1/Mora 2011/Mora3

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