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Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

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e-Museu do Património Cultural Imaterial

Dados de inventário
  • Numa noite de casamento
  • Poetas Populares de Grândola - Vídeo Poesia Popular.

    “Numa noite de casamento”- A pressa de uma noiva em ir para casa com seu marido na noite do casamento.

    Paulatino Augusto; Ano de nascimento: 1929; Concelho de Grândola.

    Registo 2007.

Transcrição
  • Numa noite de casamento

     

     

    «Numa noite de casamento

    ouvi a noiva dizer:

    marido, vamos embora

    que sem ti não posso viver.

     

    Já aqui na’(1) posso estar.

    Acredita que é verdade.

    Eu para fazer minha vontade

    na tua cara quero beijar.

    Marido, vamos deitar.

    Que será melhor esse momento.

    Dou-te beijos, mais de um cento(2),

    e mais de um cento, sem cessar.

    E eu pus-me os noivos a apreciar

    numa noite de casamento.

     

    O noivo dizia assim:

    mais ou menos sei o caminho.

    Espera aí um poucachinho(3)

    que é para não inquietar motim.

    Dum princípio inté(4) ao fim.

    Já me deves compreender,

    porque de repente não pode ser

    e abalamos lentamente.

    Mas pra fugir a toda a gente

    eu ouvia a noiva dizer:

     

    nunca mais quero ser donzela

    como antigamente a Severa(5).

    Que a nossa cama está à espera

    pra gente ir-se pra(6) cima dela.

    Marido ‘tamos com a tela

    Quando chegar uma certa hora.

    Ambos, ninguém nos ignora,

    em fazermos a nossa vaza

    mas pra dentro da nossa casa

    marido, vamos embora.

     

    Não me saias embriagado! Até fazia assim [levava a mão à cabeça]:

     

    Não me saias embriagado!

    Não te ‘tejas(7) a embriagar.

    Porque no fim do nosso jantar

    tens um prato melhorado.

    É um belo ensopado,

    ma’ não é coisa de comer.

    Se bem o souberes fazer

    não o fazes num segundo.

    Mas por ter-te um amor profundo

    sem ti não posso viver.»

     

    Paulatino Augusto, Grândola, Fevereiro de 2007

    Glossário:

    (1) Na’ – abreviatura oral de “não”.

    (2) Cento – cem (muitos).

    (3) Espera um poucachinho – espera um pouco, espera um momento, um instante.

    (4) Inté – até.

    (5) Severa – Maria Severa Onofriana (1820-1846) é referenciada como a primeira cantadeira de fado, em Lisboa, e é um dos mitos e referências da história do fado em Portugal.

    (6) Pra – abreviatura oral de “para”.

    (7) ‘Tejas – abreviatura oral de “estejas”.

    Para a execução deste glossário consultaram-se os seguintes websites: http://www.priberam.pt; http://www.infopedia.pt; http://ofadodelisboa.blogspot.com/2007/03/o-fado-da-severa.html

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
  • Décimas.

    Quadra (mote) seguida de uma glosa em 4 décimas (em redondilha maior).

    Classificação: Proposta por Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.

Identificação
  • Numa noite de casamento
  • Paulatino Augusto
  • 1929
Contexto de produção
  • Comunidade - Poetas Populares de Grândola
Contexto territorial
  • Biblioteca Municipal de Grândola (contacto Cristina Bizarro).
Contexto temporal
  • Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Grândola.
Manifestações associadas
  • A poesia alentejana de Grândola era dita em festas, feiras, locais de entretenimento e principalmente em tabernas.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Poetas populares em iniciativas esporádicas do Município de Grândola. Em Grândola, vários poetas populares participam na iniciativa Rota das Tabernas (16ª edição em 2010) realizada em Junho.

    Existem vários Encontros de Poetas Populares, nomeadamente em concelhos do Alentejo e do Algarve.

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

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