Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

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e-Museu do Património Cultural Imaterial

Dados de inventário
  • A quem a morte me desejar
  • Poetas Populares de Grândola - Vídeo Poesia Popular.

    “A quem a morte me desejar”- Quem desejar a morte ao poeta morrerá primeiro que ele.

    Paulatino Augusto; Ano de nascimento: 1929; Concelho de Grândola.

    Registo 2007.

Transcrição
  • A quem a morte me desejar

     

    «Deus no céu e eu na terra.

    Um voto(1) que ele me deu.

    E quem a mim me pedir a morte,

    morre sempre primeiro do que eu.

     

    Eu não faço mal a ninguém.

    Eu a ninguém desejo mal.

    Eu só desejava que afinal

    todos estivessem bem.

    Fosse aqui ou fosse além.

    Fosse no plano ou na serra.

    Porque há muita gente que erra

    que não devia de errar.

    Somos os dois a dominar:

    Deus no céu e eu na terra.

     

    Há quem a morte me pediu.

    Uma morte triste, exagerada,

    mas de nada lhe serviu, de nada,

    porque a morte de mim fugiu.

    A pessoa não conseguiu

    ir buscar o que era meu.

    Porque Deus também sofreu

    pelo seu filho Jesus

    por isso eu hoje estou cá

    não busco o voto que ele me deu.

     

    Há quem na’(2) queira acreditar

    que o que eu digo é verdade,

    mas quem mandar com falsidade

    depressa tem que abalar(3).

    Não vale a pena chorar.

    Escusa de andar a fugir,

    nada pode conseguir.

    Acredite e possam crer:

    primeiro do que eu vai morrer

    quem a morte me pedir.

     

    Toda a vida tenho sido

    um homem no mundo sem medo.

    E ‘tá(4) escondido o meu segredo

    e o meu segredo ‘tá escondido.

    Fica o assunto resolvido

    e que a Virgem o estabeleceu.

    E Deus é que escreveu

    o livroprà (5)gente estudar,

    mas quem a morte me desejar

    morre sempre primeiro do que eu.»

     

    Paulatino Augusto, Grândola, Fevereiro de 2007

    Glossário:

    (1) Voto – no caso, um género de graça, de benefício.

    (2) Na’ – abreviatura de “não”.

    (3) Abalar – ir embora.

    (4) ‘Tá – abreviatura de “está”.

    (5) Prà – abreviatura oral de “para a”.

    Para a execução deste glossário consultaram-se os seguintes websites:http://acll.home.sapo.pt/portugues.html;http://www.priberam.pt;http://www.infopedia.pt/;

    http://aulete.uol.com.br

     

     

     

     

     

     

Caracterização
  • Décimas.

    Quadra (mote) seguida de uma glosa em 4 décimas (em redondilha maior).

    Classificação: Proposta por Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.

Identificação
  • A quem a morte me desejar
  • Paulatino Augusto
  • 1929
Contexto de produção
  • Comunidade - Poetas Populares de Grândola
Contexto territorial
  • Biblioteca Municipal de Grândola (contacto Cristina Bizarro).
Contexto temporal
  • Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Grândola.
Manifestações associadas
  • A poesia alentejana de Grândola era dita em festas, feiras, locais de entretenimento e principalmente em tabernas.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Poetas populares em iniciativas esporádicas do Município de Grândola. Em Grândola, vários poetas populares participam na iniciativa Rota das Tabernas (16ª edição em 2010) realizada em Junho.

    Existem vários Encontros de Poetas Populares, nomeadamente em concelhos do Alentejo e do Algarve.

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

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