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Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

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e-Museu do Património Cultural Imaterial

Dados de inventário
  • Meu coração para três
  • Poetas Populares de Grândola - Vídeo Poesia Popular.

    “Meu coração para três”- Sobre o amor que o poeta nutre por três mulheres diferentes e sobre a divisão e indecisões que os seus sentimentos lhe causam.

    Paulatino Augusto; Ano de nascimento: 1929; Concelho de Grândola.

    Registo 2007.

Transcrição
  • Meu coração para três

     

    «Me’(1) coração pra três

    partilhas nenhumas tem.

    Aqui estou, na’(2) sei o que faça

    porque eu às três quero bem.

     

    Acreditem, que é verdade,

    e que isto dá muito que pensar

    na’ sei com qual hei-de casar

    porque eu às três tenho amizade.

    Têm-me feito a vontade,

    ainda mais do que uma vez.

    Nisto penso há mais de um mês

    e levo noites sem dormir

    por não poder dividir

    o meu coração para três.

     

    Trago as três no coração

    porque delas sei os sinais.

    São todas três iguais

    e ali não há separação.

    Muitas vezes ao serão(3)

    vou ali ao vale “quem o tem”(?),

    vou lá vezes, mais de cem,

    porque é esse o me’ destino

    mas o corpo de Paulatino

    partilhas nenhumas tem.

     

    Trago as três no meu sentido

    porque sei que fui o primeiro,

    inté(4) me deram o dinheiro

    e ficou o assunto resolvido.

    Toda a vida tenho sido

    homem com pouca graça,

    mas tenho a minha chalaça(5)

    acreditem e possam crer.

    Mas pra(6) este caso resolver

    aqui estou, na’ sei o que faça.

     

    Eu vivo num mundo animado

    com uma grande alegria.

    Até às vezes no me’mo(7) dia

    pelas três era beijado.

    Era por elas abraçado

    fosse aqui ou fosse além(8).

    Eu nunca as dei ao desdém(9),

    dum princípio inté ao fim,

    mas queria as três pra mim

    porque eu às três quero bem.»

     

    Paulatino Augusto, Grândola, Fevereiro de 2007

     

    Glossário:

     

    (1) Me’ abreviatura oral, de uso informal e coloquial, de “meu”.

    (2) Na’ – abreviatura oral de “não” (uso informal e coloquial).

    (3) Serão: às primeiras horas da noite.

    (4) Inté – expressão popular que refere-se a “até”; o mesmo que até.

    (5) Chalaça – piada; gracejo; dito gracioso e picante.

    (6) Pra – o mesmo que “para”(redução da preposição para usadade modo informal e coloquial).

    (7) Me’moabreviatura oral de “mesmo” (uso informal e coloquial).

    (8) Além – acolá, naquele lugar.

    (9) Desdém – desprezo; fazer pouco caso para com a pessoa.

    Para a execução deste glossário consultaram-se os seguintes websites: http://www.priberam.pt; http://www.infopedia.pt;http://aulete.uol.com.br;

    http://www.dicio.com.br

     

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
  • Décimas.

    Classificação: Proposta por Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.

Identificação
  • Meu coração para três
  • Paulatino Augusto
  • 1929
Contexto de produção
  • Comunidade - Poetas Populares de Grândola
Contexto territorial
  • Biblioteca Municipal de Grândola (contacto Cristina Bizarro).
Contexto temporal
  • Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Grândola.
Manifestações associadas
  • A poesia alentejana de Grândola era dita em festas, feiras, locais de entretenimento e principalmente em tabernas.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Poetas populares em iniciativas esporádicas do Município de Grândola. Em Grândola, vários poetas populares participam na iniciativa Rota das Tabernas (16ª edição em 2010) realizada em Junho.

    Existem vários Encontros de Poetas Populares, nomeadamente em concelhos do Alentejo e do Algarve.

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

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