Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Dados de inventário
  • A menina no berço
  • Beja

    “A menina no berço”- Na ausência temporária de uma mãe, a filha mais velha zela pela casa e embala a irmã (não é cantado).

     

    Idalina Cocito; St. Clara de Louredo; Ano de nascimento: 1938; Concelho de Beja.

    Registo 2010.

Transcrição
  • [Corre, corre cabacinha]

     

    Havia também uma velhota que vivia num monte(1). E depois foi *à da filha*(2)  e ia por o mato afora, *tira-tira, beco-beco(3)*, chegou lá adiante, encontrou um lobo.

     

    Lobo – Agora como-te! – disse o lobo. – Tem paciência, mas agora como-te!

     

    Velha – Ai, não! Olha na’ me comas agora, que eu vou ao casamento da minha neta e já venho mais gorda! Nessa altura já me comes, mas agora ainda estou tão magrinha! Na’ vale a pena!

     

    Lobo – Atão(4) ‘tá bem.

     

    Bom e tudo falava nessa altura: falavam os lobos e falavam as velhas.

    Abalou(5) a velhota, tira-tira, beco-beco, foi à da filha. Bom, chegou lá, houve o casamento da neta. Quando acabou isso, disse ela:

     

    Ai! Diga lá, agora… Como é que eu agora vou pra casa?! Atão o lobo ‘tá aí à minha espera! Ele disse logo que me esperava.

     

    Familiar – Ai, na’ senhora! Espere que a gente temos aqui uma cabaça(6). A gente arranja-lhe aqui a cabaça e você vai dentro!

     

    ‘Tiveram raspando aquilo tudo e meteram a velha na cabaça. Bom, abalou rebolando e encontrou o lobo. Disse ele:

     

    Ó cabacinha, não viste pràí uma velhinha?

     

    Cabaça – Eu na’ vi nem velhinha, nem velhão! Corre, corre cabacinha, corre, corre cabação!

     

    Lá abalou rebolando, rebolando e, pronto, o lobo ficou à espera. E ela abalou rebolando, rebolando foi pra casa.

     

    Também deve ser verdade, esta!

     

     

    Olívia Brissos, Beringel (conc. Beja), Fevereiro de 2006.

    Glossário:

    (1) Monte: regionalismo do Alentejo. Sede de herdade formada por vários edifícios em torno de um pátio; designação por vezes atribuída à própria herdade.

    (2) Ir à da: ir à casa de alguém, no caso, à casa da filha (expressão do Alentejo).

    (3) Tira-tira, beco-beco: «Um andamento qualquer que a gente… A minha neta quando eu vou lá é que me diz:

    Atão? A avó atão já vai tira-tira, beco-beco? Cantando muito calada, n’ é verdade? – Pois, atão agora vou cantando muito calada. É uma maneira de dizer.» (Olívia Brissos, Beringel, Fevereiro de 2006).

    (4) Atão: regionalismo de Portugal, de uso informal e coloquial que significa “então”.

    (5) Abalou: foi-se embora.

    (6) Cabaça: espécie de abóbora normalmente com a forma do algarismo 8 que, depois de despojada das sementes e completamente seca, pode ser usado como vasilha para líquidos.

    Para execução deste glossário consultaram-se os websites: http://www.ciberduvidas.com; http://www.infopedia.pt; http://motoxaparros.webs.com/comodizquedisse.htm; http://www.priberam.pt/; http://acll.home.sapo.pt/portugues.html

     

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
  • Cancioneiro: Cantigas do Ciclo de Vida: Cantiga de Embalar.

     

    Classificação: Isabel Cardigos (CEAO/Universidade do Algarve) em Setembro de 2011.

    Fonte da classificação: Aliete Galhoz em Aliete Galhoz em Idália Farinho Custódio e Maria Aliete Farinho Galhoz, Cancioneiro: Património Oral do Concelho de Loulé, vol. IV, Loulé, 2010, CM Loulé.

Identificação
  • A menina no berço
  • Idalina Cocito
  • 1938
Contexto de produção
Contexto territorial
  • St. Clara de Louredo através da Biblioteca Municipal de Beja (contacto Cristina Taquelim).
Contexto temporal
  • Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Beja.
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias que participam em iniciativas do Município de Beja. São convidados na iniciativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas.

Equipa responsável
  • Lénia Santos
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa

 

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