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Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O fogo tradicional

nome:
Lúcia Viana, Cecília Viana e Jacinta Viana
ano nascimento:
1944, 1935 e 1948 (respectivamente)
freguesia: Antas
concelho:
Esposende
distrito:
Braga
data de recolha: Outubro 2010
 
 
 

Dados de inventário
  • O fogo tradicional
  • Esposende

    "O fogo tradicional" -Explicação pormenorizada sobre a manufactura dos foguetes.

    Irmãs Viana -Lúcia Viana, Cecília Viana e Jacinta Viana nascimento1944, 1935, 1948 (respectivamente). Antas. Esposende. Registo 2010

Transcrição
  • O fogo tradicional

     

    O fogo tradicional é o tacho que é com umas formas, que leva os canudos – que é os tais canudos, como era o que faziam antigamente. Ainda fazem, agora já se começou a fazer outra vez. E leva a cana – as canas. Antes até vinham aqui das Marinhas, mas depois começaram a ir buscá-las na zona de Leiria, à Batalha, também… E até vem de Tavira, também vinham de Tavira, os camiões traziam. Porque aqui não havia canas vidradas! As canas de lá são mais vidradas que estas, e há de várias medidas. E para cada foguete é uma medida diferente, consoante o peso que leva na cabeça. O foguete mais pequeno, tem menos peso – tem de levar uma forma mais pequena. Depois, conforme for subindo o aumento do peso do foguete, a cana tem que ser maior. Assim como os canudos. Se for um foguete mais pesado, tem de ser um canudo grande, ou dois! E, para isso, só mesmo quem trabalha lá, porque ninguém de fora é capaz de fazer aquilo. Veem aquilo no ar e não sabem como aquilo é feito. Não sabem o trabalho que dá!

    Se eu pegar num canudo para fazer um foguete, passa oito vezes na minha mão! É verdade… Oito vezes na minha mão para subir ao ar! E já vem meio-feito! O canudo agora não dá trabalho, porque agora são canudos de papelão. Já vêm fabricados. Mas antigamente era um canudo de cana. E eram cortados à faca, à medida. E depois, tinha – chamavam eles – um engenho, que era… Tinha um sarilho com um fio, o canudo da cana era revestido a fio, ou cordão, que passava com alcatrão. A gente chama-lhe (chamava-lhe) o piche. O fio já vinha branco, tinha de se pôr o piche (ou o alcatrão, como lhe queiram chamar) no cordão para colar à cana. E aquilo custava muito… Ia muito apertadinho… Tinha de ser o cordão muito apertado. Depois deitavam-se os canudos a secar. Depois dali é que eram calcados – embarreados, chamavam-lhe barreados, que era pôr o barro. Calcados tudo à mão! Agora já têm máquinas de calcar. Naquela altura era tudo com malhos, com uns malhos de madeira… Custava muito, eram uns malhos grandes! 

     

Caracterização
    • História de vida e da fábrica
Identificação
  • O fogo tradicional
  • Irmãs Viana -Lúcia Viana, Cecília Viana e Jacinta Viana nascimento1944, 1935, 1948 (respectivamente)
  • 1944,35,48
  • proprietárias fábrica de foguetes
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Esposende, Biblioteca Municipal Manuel Boaventura
Contexto temporal
Manifestações associadas
  • Saber-fazer, processo e manufactura de foguetes e fogo tradicional
  • Oficina de Foguetes Viana Antas, Esposende
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Actuais proprietários da Fábrica de Foguetes Viana

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Ana Sofia Paiva
  • Documentário - Realização Filomena Sousa


 

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