Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

A apanha da cereja

nome:

Fernando Sousa

ano nascimento:

1939

freguesia: Pereiro de Palhacana 
concelho:
Alenquer
distrito:
Lisboa
data de recolha: 2013
 

 

Dados de inventário
  • A apanha da cereja
  • Alenquer

    "A apanha da cereja" - Relato de como e onde se apanhava a cereja e conto sobre cerejas.

    Fernando Sousa, Ano de Nascimento 1939. Pereiro de Palhacana. Alenquer.

Transcrição
  • A apanha da cereja

    "Freiria era a zona onde tínhamos mais cereja. Alenquer tem ali Palaios, que era a minha aldeia; carregava-se lá três camionetas! Três camionetas de cereja todos os dias, à noite. Iam lá à noite. O pessoal andava a trabalhar a apanhar cereja durante o dia. Preparava e depois havia aqueles senhores que tinham os carros que vinham fazer o transporte da cereja para Lisboa, para a Ribeira; era vendida em Lisboa.

    E aquilo ali era uma zona de muita cereja. Até havia o ditado; havia aquele ditado antigo que… O melro estava em cima da cerejeira. Quando tinha o bico amarelo, a cereja estava a começar a amadurecer. E houve um tipo que foi atrás do melro:

    - Ah, então a cereja está a amadurecer? Já me estás a roubar cereja?

    E ele foi até ao Tejo atrás do melro! O melro passou lá para o outro lado e depois ele dizia:

    - Se cá voltares, eu limpo-te o sarampo!

    Elas quase sempre trabalhavam para o mesmo patrão na cereja. E então o patrão ia ter com elas aí uns tempos antes. Iam ter com elas:

    - Olha, este ano estou a contar contigo para lá para a cereja!

    Ultimamente íamos buscar o pessoal aos lugares. Íamos de manhã com o carro. Com o carro, íamos às aldeias onde tínhamos o pessoal. E andávamos de pomar em pomar com elas.

    Depois havia aquelas que eram mais habilidosas assim para encanastrar – chamava a gente, encanastrar, que era enfeitar os cabazes. E havia aquelas que eram assim mais habilidosas, ficavam logo a fazer os cabazes na casa para onde a gente levava as cerejas. E o outro pessoal ia apanhar.

    Depois, agora… A malta agora… Já estão a começar a pôr mais algumas, mas a mão-de-obra é muito cara. A cereja não tem muita despesa nas outras coisas, mas a mão-de-obra é caríssima."

Caracterização
    • Relato sobre práticas
Identificação
  • A apanha da cereja
  • Fernando Sousa
  • 1939
  • Trabalhador agrícola e comerciante
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Pereiro de Palhacana, plantação de kiwis.
Contexto temporal
Manifestações associadas
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Histórias partilhadas nos tempos de lazer e em festas e romarias. Actividades promovidas pelo Município.

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Ana Sofia Paiva
  • Documentário - Realização Filomena Sousa
Arquivo
  • 144/16:41 - 23:37
  • 1/Alenquer2012/Alenquer144