Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Sobre folhetos de cordel

nome:

Mariana Monteiro

ano nascimento:

1942

freguesia: Pereiro de Palhacana (em Mata de Palhacana)
concelho:
Alenquer
distrito:
Lisboa
data recolha: 2013
 

Dados de inventário
  • Sobre Folhetos de Cordel
  • Alenquer

    "Sobre Folhetos de Cordel" - Relato da vivência nas aldeias, no tempo em que os jovens se juntavam regularmente para ir aos bailes e aprendiam poemas e cantigas através de folhetos de cordel vendidos por cegos.

    Mariana Monteiro, Ano de Nascimento 1942. Mata de Palhacana. Pereiro de Palhacana. 

Transcrição
  • Sobre folhetos de cordel

    E havia também umas pessoas que andavam nas feiras a vender uns folhetos de canções e anedotas. E a gente, assim que se apanhava com dois tostões ou três… Era dois tostões ou três tostões, conforme os versos. Eu tenho pena de os ter deitado fora, que eu tinha um molho de versos que era uma coisa linda!

    Eram uns ceguinhos e a gente depois punha ou dois tostões, ou três tostões. Era um ceguinho. E andavam aqueles miúdos a vender os folhetos e a gente comprava aqueles folhetos. Era. Dois tostões, três tostões, conforme. Eu era novita. Novita mas bem novita! Pois. E depois eu não sabia ler, ã? Mas bastava as que sabiam ler, cantar e ler e eu aprendia tudo! Eu aprendia… Eu leio qualquer coisa sozinha! Sozinha! Não posso é esforçar a vista. Eu leio qualquer papel, qualquer coisa das novelas, ou qualquer coisa. Eu leio tudo, que eu aprendi sozinha!

    Ia para uma festa. Sentavam-se ali às vezes montes delas, nos adros das igrejas. Cá há poucos adros de igrejas. E elas sentavam-se ali pela noite dentro, tudo ali sentado e uns a tocar concertina, outros a tocar guitarra, outros a tocar tambor… E assentavam-se por ali e cantavam versos e cantavam isto… Até há uns que eu perdi o fio à meada, não é? Eu aprendia tudo! Eu ia para casa, punha-me ali tuca tuca tuca tuca tuca tuca tuca tuca, aprendia tudo! Eu morei vinte e cinco anos em Leiria, eu conhecia Leiria… Agora não, porque já lá passei, já vi que aquilo está tudo… Credo… Está tudo modificado. Mas eu conhecia Leiria como conheço os meus dedos. Eu morava mesmo ao pé do Castelo de Leiria. A gente ajuntava-se muitas. Íamos… Aquilo tem muitas aldeias! Leiria tem muitas aldeias, muitas aldeias, muitas aldeias! Muitas aldeias! E havia festas. Todos os Domingos havia festa: aqui, ou ali, ou acolá. A gente ajuntava-se, tudo! Era tudo rapaziada nova e a raparigada ia para um lado, e os maridos… Quem tinha maridos, era maridos; quem tinha namorados, era namorados. E a gente assentávamos ali naqueles bailaricos e ouvíamos aquilo e aprendíamos. Eu aprendia tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo!

     

     

     

Caracterização
    • Relato sobre práticas culturais
Identificação
  • Sobre Folhetos de Cordel
  • Mariana Monteiro
  • 1942
  • Trabalhadora agrícola
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mata de Palhacana, café local
Contexto temporal
Manifestações associadas
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Histórias partilhadas nos tempos de lazer e em festas e romarias. Actividades promovidas pelo Município.

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Ana Sofia Paiva
  • Documentário - Realização Filomena Sousa