Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Falas dos sete infantes de Lara

nome:
Maria Vara
ano nascimento:
1955
freguesia: Vimioso
concelho:
Vimioso
distrito:
Bragança
data de recolha: Outubro 2010
 
 
 

Dados de inventário
  • Falas 7 Infantes de Lara
  • Vimioso

    "Falas 7 Infantes de Lara" - «Epopeia sangrenta, familiar (…) A história gira em torno de uma desavença familiar. Casava-se Dona Lambra de Bureba com Don Rodrigo de Lara, irmão da mãe dos infantes, Dona Sancha. Frente a frente encontram-se os familiares da noiva e os de Lara. Perante a vontade de vingança de Dona Lambra, o seu tio, D. Rodrigo, urdiu um plano de vingança enviando Gonçalo Gustios, pai dos infantes, com uma carta a Almançor, dizendo-lhe que matasse aquele que levava a carta. Mas Almançor tem pena de Gonçalo e não omata, prende-o. A outra parte do plano consistiu em enviar os infantes para a batalha contra os mouros, abandonado-os no campo de batalha, e assim aconteceu.

    O momento mais impressionante do romance é quando Almançor mostra as cabeças dos sete infantes ao seu próprio pai. O seu choro, diante das cabeças dos filhos, constitui uma das páginas mais pungentes de toda a epopeia. Em Portugal, conhece-se pelo menos uma edição, de 1747, traduzida por Reynerio Bocache e impressa na “ofiicina de Domingos Rodrigues”, com o seguinte título: História nova, curiosa, e verdadeira da morte e façanhas dos Sete Infantes de Lara, com a vida do nobre cavalleiro, o Conde D. Fernando Gonsalves, extrahida fielmente das chronicas de Espanha.» http://tpmirandesp.no.sapo.pt/SeteInfantes_PagInicial.htm

     

     

    Maria Vara, 1955. Vimioso

    Registo 2010.

Transcrição
  • [Os sete infantes de Lara]

     

     

    «Sempre te estou a chamar

    e não me queres responder,

    se não me queres servir,

    sai diante mulher.”

     

    E depois responde a criada:

     

    “Minha vida é servir,

    a minha i-ama acompanhar.

    Farei bem o que me manda,

    para melhor me pagar.”

     

    Responde-lhe a senhora:

     

    “Se fizeres o que eu te mando,

    grande prémio ganharás,

    de ir afogar meus filhos,

    que tive sete e a todos não posso dar de mamar.

     

    “Venha cá esse estareilho(?)

    muito bem aparelhado.

    Antes que meu amo chegue

    Terei os todos afogados.

     

    Vejo além um caçador,

    que me faz a mim temer.

    Se é o pai dos meninos,

    que será de mim mulher?

     

    Que trazes minha criada?

    nesse grande cestarilho.

    Por ventura tu me trazes

    guisadinho algum coelho?

     

    Nossa cadela pariu e

    a minha i-ama me mandou

    afogar os cachorrinhos,

    ela só com um ficou.

     

    Mostra cá mulher,

    mostra cá a criação.

    Valha-me Deus, isto é

    parte do meu coração!

     

    Ó mulher enganadora

    que me querias enganar.

    Querias afogar meu fruto,

    que um dia me há-de consolar.

     

    A minha i-ama me mandou

    afogá-los na clara e ela me prometeu,

    que não dissesse nada à seu,

    um vestido azul da cor do céu.

     

    Pois eu também te darei

    vestido de grande valor.

    Vai para casa e i-ama,

    mostra-lhe muito amor.”

     

    “Oh, que cansada me vejo,

    que fatiga eu apanhei.

    Venha o fato minha i-ama,

    já cumpri o seu desejo.

     

    Então não te viu Gonçalo,

    nem nenhuma dessa gente?

    Eu não vi Gonçalo,

    nem nenhuma dessa gente.”

     

     

     

    Maria Vara, Vimioso, Outubro de 2010

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
    • Fragmento Teatro popular

    «A lenda, de fundo histórico, relembra-nos os feitos e as lutas entre os mouros e os cristãos durante a chamada “reconquista”. (…) O romance baseia-se num antigo cantar de gesta, já desaparecido. (…) O momento mais impressionante do romance é quando Almançor mostra as cabeças dos sete infantes ao seu próprio pai.»

    http://tpmirandesp.no.sapo.pt/SeteInfantes_PagInicial.htm

     

Identificação
  • Falas 7 Infantes de Lara
  • Maria Vara
  • 1955
  • Comerciante
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Vimioso, estabelecimento comercial
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Vimioso
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Residentes do concelho de Vimioso que são convidados para iniciativas do Município e Biblioteca de Vimioso.

Equipa responsável
  • José Barbieri e Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri - realização do documentário (ver link em documentação)


 

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