Territórios culturais

LU.GAR propõe mapear territórios culturais em contextos urbanos. Sobre esse mapa queremos inscrever novas narrativas que reinterpretem as memórias do lugar e criem novas vivências utilizando discursos e percursos artísticos. Enquanto projeto experimental, exemplificativo e replicável escolhemos a malha urbana de Alenquer para iniciar este programa com atividades de formação e criação que estimulam a participação e qualificação da comunidade e do público, contribuindo para corrigir assimetrias de acesso à produção e fruição cultural.

As disciplinas artísticas envolvidas cruzam-se criando eventos envolventes e com vários níveis de leitura: teatro - formação e performances baseadas na narração oral; artes visuais - formação e instalações ao ar livre baseadas no reconhecimento do lugar pelo desenho e pintura; novos media: em instalações ao ar livre, numa galeria-museu e com a presença interativa na web.

LU.GAR pretende construir uma relação inclusiva com a comunidade. Várias ações são desenhadas com a colaboração ativa da população residente enquanto outras são implementadas em locais marcantes da memória coletiva, incentivando o diálogo e fruição públicos.

A utilização de múltiplas expressões e leituras artísticas criadas a partir das memórias e nos lugares da Vila, tem como objetivo (para além da inclusão social) valorizar e promover práticas de reflexão e relação entre disciplinas artísticas com os públicos, criadores, programadores e investigadores.

Roda de Cantos e Contos tradicionais
Ana Sofia Paiva

Uma voz que acorda, no avesso da nossa pele, um mundo sem tempo enraizado na tradição oral. Dedica-se desde 2007 à narração oral e ao canto centrando-se no conto maravilhoso e na musicalidade da performance oral. É a mais considerada actriz-narradora da sua geração, com uma intensa atividade nacional e internacional. Formada pela Escola Superior de Teatro e Cinema. É membro do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa e da cooperativa Memória Imaterial, onde trabalha como investigadora, transcritora e recolectora de tradições orais.

José Craveiro

Um grande trovador. Dos cantares aos trajes, das orações aos licores, dos contos às ervas medicinais, das procissões aos manjares tradicionais, tudo parece habitar as palavras e os gestos deste “contador de histórias” na aceção mais enraizada e abrangente do termo. O seu repertório inclui temas da tradição oral ouvidos e vividos em primeira-mão. Mestre de saberes e de sabores da sua terra, Tentúgal, é um embaixador do património cultural daquele vale onde corre o Mondego.

Cristrina Taquelim

Fala-nos de histórias, contos e casos polidos à volta do fogo, de boca a orelha. Palavras que viajaram pelo mundo de aldeia em aldeia, de sonho em sonho, de coração em coração. Desenvolve desde 1995 atividade como narradora, trabalha com públicos de todas as idades e participa em inúmeros encontros de narração oral nacionais e internacionais. Licenciou-se em Psicologia Educacional e fez Pós-Graduação em Ciências Documentais. É responsável pelos programas de Narração Oral na Biblioteca de Beja e pelo maior festival de narração oral de Portugal, o Palavras Andarilhas.

Memória, eco-ativismo e arte
Memória, eco-ativismo e arte

Quando iniciámos o trabalho de registo de memórias dos habitantes de Alenquer sobre a sua comunidade, os temas “água” e “rio” destacaram-se pelo que decidimos que ambas as exposições de 2018 os usariam como estímulo central de criação. Por outro lado, os temas “gestão da água” e “aquecimento global” são de urgência imediata. Enquanto criadores e produtores culturais defendemos a confluência entre memória, consciência ecológica e arte. Enquanto artistas, investigamos e criamos a partir das dimensões social, científica, política, ecológica e filosófica da nossa era, já caraterizada como Antropoceno. Estas duas instalações refletem as nossas opções de trabalho fundindo a memória viva dos habitantes da vila com as preocupações do nosso tempo, concretizadas em instalações que usam escultura, pintura, multimédia e teatro.

Ilusões de futuro...
Ilusões de futuro, pesadelos do presente
20, 21 e 22 de setembro
Memória das Águas
27, 28 e 29 de setembro
Memória, eco-ativismo e arte
Ilusões de futuro, pesadelos do presente
Ilusões de futuro...
20, 21 e 22 de setembro

No parque Vaz Monteiro

Perto do rio mostra-se a maquete de um icebergue cuja altura relembra as cheias de 1967. Ao lado, um bloco de gelo derrete.
Em vários monitores de vídeo corre informação sobre a complexidade de ameaças, problemas e desafios, decorrentes das alterações climáticas, com a qual a humanidade doravante se confrontará, a nível local e global.
Sinal de premonição face à inconveniente verdade da crise climática? Os pesadelos do presente foram originados por ilusões de futuro. A maquete de icebergue anuncia, no presente, uma eventual inexistência de futuro caso a humanidade mantenha os atuais padrões predatórios de consumo e exploração dos recursos naturais para sustentar irresponsáveis estilos de vida.
As sessões de narração de Ana Sofia Paiva, dedicadas ao tema, têm a duração de 30 minutos e falam/cantam o legado cultural português, repleto de lendas e contos que nos ensinam a importância da água na vida.

horário: 11h00 - 17h00
sessões de contos: 11h30; 14h30; 17h30;

+ informações: 961502105

Memória, eco-ativismo e arte
Memória das Águas
Ilusões de futuro...
27, 28 e 29 de setembro

No Lavadouro do Lugar das àguas

No Lugar das Águas, devoluto palco de convívio assistido pelo murmúrio ininterrupto do rio, o lavadouro torna-se temporariamente o lugar de concentração e confluência de memórias silenciadas. Instalação em torno da relação de Alenquer com o rio.
Contrapartida de modernidade prometida em troca de um rio roubado, o lavadouro reúne as memórias individuais de histórias e vivências do lugar e do rio; as memórias de um rio inexistente, rio fantasma, recurso apropriado para ficções e imaginações, em contraste com a realidade material e sonora da água.
Imagem do tempo e da consciência, um rio imaginário que se constitui com todas estas memórias que passam e se transformam com a passagem do tempo.
As sessões de narração de António Fontinha, dedicadas ao tema, têm a duração de 30 minutos e falam do legado cultural português, repleto de lendas e contos que nos ensinam a importância da água na vida.

horário: 11h00 - 17h00
sessões de contos: 11h30; 14h30; 17h30;

+ informações: 961502105

Oficina de desenho
Oficina de desenho
20 e 27 de outubro

No parque Vaz Monteiro

Através de técnicas simples propõe-se o reconhecimento do lugar através do desenho e da pintura.

Gestos simples: manchar e contornar. Pequenas coisas. Objetos simples.

Duas sessões com a duração de 2h30.

Desenhos em folhas A3.

Materiais: grafite; lápis de cera; pincéis e pigmento natural.

O material é fornecido pela organização.

Recurso a técnicas simples: ‘frottage’ para a transferência de texturas (aspetos de superfícies: nomeadamente, chão, relva, xisto, pedra, areia, monumento) e traçado da sombra sobre o papel (contorno-linha). A simplicidade das técnicas depende de um princípio: a valorização do contacto (e não da produção de uma semelhança ou de uma cópia).

horário: 10h00 - 12h30

+ informações: 961502105

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