LU.GAR.OCULTO instalação #4. SILÊNCIO

                                                   A voz dos vencidos  

 

 

Somos todos sobreviventes.

Sob os nossos pés a terra é feita de vozes e ossos de incontáveis vagas humanas. Aos mortos devemos o que temos e o que somos hoje.

Nós, os vivos, gostamos de organizar os nossos vislumbres do passado por eras. Referenciamos essas eras com os nomes vencedores de heróis, ideologias, religiões e sistemas.

Nesta dinâmica global em que se transformou a humanidade os vencedores são escassos, transitórios, mas marcantes. Vivemos sob as suas regras, a sua cultura, o seu mercado, o seu medo, a sua memória.

Os vencidos são a enorme maioria que vive num silêncio ensurdecedor, tantas vezes autoimposto. Os vencidos acreditam na sua derrota, aceitam a sua menoridade perante os vencedores. Calam. Esquecem a sua originalidade, perdem a sua visão do mundo, a sua cultura. Ninguém sai inteiro deste jogo: os vencedores obliteram parte de si mesmos para vencerem. Esta é a antiga tradição das sociedades humanas, o balanço do desequilíbrio.

 

Esta instalação estreia no Museu Damião de Góis e das Vítimas da Inquisição em Alenquer, um espaço que, por si, representa uma erupção das vozes vencidas que procuram testemunhar a sua permanência no delicado tecido da humanidade, sobrevivendo à aniquilação decretada, instituída.

 

Com este LU.GAR.OCULTO instalação #4, procuramos quebrar este silêncio com vozes - reais, fictícias e ficcionadas - sugadas deste grande vazio prenhe de dor sublimada, alegrias secretas, e reflexões amargas. Articula-se a partir das pinturas de Carlos Augusto Ribeiro, que prolonga a vida de um heterónimo anónimo que iniciou a sua carreira em 2017 na exposição e livro DITO ISTO, - um pintor de anúncios e cartazes publicitários, um personagem que delapidou a vida publicitando utopias, revoluções e estratégias comerciais alienígenas. Este pintor anónimo tem uma obra secreta que produz uma série de “descortesias, rascunhadas em papeis velhos, enviadas para si próprio … apelos mortos do vazio interior. A ideia é o seu cão. Um rastro de palavras. Pó de giz.”

 

Conta ainda com intervenções multi-plataforma de José Barbieri, Rafael Del Rio e Eva Ângelo, pequenas gotas em pedra dura…

 

Luís Correia Carmelo cria momentos performativos a partir do relato histórico da matança da Páscoa de 1506 e de Contos da tradição oral judaica.

Silêncio

A voz dos vencidos

 

10 a 30 de outubro 2019

terça a domingo 10.00h às 18.00h

 

Alenquer

Museu Damião de Góis e das vítimas da inquisição

 

 

A entrada é livre

 

contactos: 961502105 Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

Pintura

Carlos Augusto Ribeiro

 

Instalação

José Barbieri, Eva Ângelo e Rafael Del Rio

 

Performance

Luís Correia Carmelo

 

 


Brevemente publicaremos horários e formulários de inscrição para atividades formativas.

   
   

 

 


 

 

LU.GAR.OCULTO

 

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