Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Andava um garotinho de 10 anos

nome:

Mariana Monteiro

ano nascimento:

1942

freguesia: Pereiro de Palhacana (em Mata de Palhacana)
concelho:
Alenquer
distrito:
Lisboa
data de recolha: 2013
 

Dados de inventário
  • Andava um garotinho de 10 anos
  • Alenquer

    "Cantiga Folheto de Cordel 1" - História de uma criança maltratada pelo pai que parte em busca de uma vida melhor.

    Mariana Monteiro, Ano de Nascimento 1942. Mata de Palhacana. Pereiro de Palhacana. 

Transcrição
  • Andava um garotinho de 10 anos

     

    "Andava um garotinho com dez anos, a cavar numa vinha dos seus pais,

    mas como no mundo há certos humanos, ainda são pior que os animais.

    Andava o garotinho todo o dia, agarrado à enxada amargurada,

    mas como o seu trabalho não lhe rendia, à noite pelo pai era espancado.

    E o garoto já farto de sofrer, a mando de sofrer martírios tais,

    um dia o que ele pensou em fazer, abandonar a casa dos seus pais.

    A uma terra istante[1] o garotinho, a uma porta rica foi bater,

    batia com ternura e com carinho, pedia para dormir e para comer.

    E o dono da casa lhe perguntou: Então porque andas tu abandonado?

    O garoto a chorar lhe explicou: Senhor, meu pai para mim é um malvado.

    Então ó bom garoto escuta lá, tu dizes que teu pai que é um traidor,

    se lá não queres voltar tu ficas cá, de ti farei um homem de valor.

    E o garoto aceitou, mas sem saber que o homem era um honrado professor,

    ensinou-o a ler e a escrever, estudou até chegar a ser doutor.

    Então ele já curava muita gente, estava um médico industrial e forte.

    Um dia que ele ouvira dizer que o seu pai, que estava em perigo de morte.

    À pressa lá o foi salvar da morte, no fim de o ter salvo deu um ai,

    Já está salvo o meu pai. Ele diz com brio.

    Em paga de você ser um mau pai, eu quero lhe pagar, ser um bom filho.

    Desculpa, filho meu, o mal que te eu fiz, a vida que te eu dei amargurada,

    mas quanto é que te eu devo, ó filho diz.

    Cumpri com o meu dever, pai não é nada.”

     


    [1] Distante

     

     

     

     

Caracterização
    • Cantiga narrativa de folheto de cordel
Identificação
  • Andava um garotinho de 10 anos
  • Mariana Monteiro
  • 1942
  • Trabalhadora agrícola
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mata de Palhacana, café local
Contexto temporal
Manifestações associadas
  • Festas e feiras locais
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Histórias partilhadas nos tempos de lazer e em festas e romarias. Actividades promovidas pelo Município.

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Filomena Sousa (literária) Ana Sofia Paiva (integral)
  • Documentário - Realização Filomena Sousa


 

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