Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O gosto pela música

  • Nome: João Pacheco Mouzinho

  • Ano de nascimento: 87 anos (em 2010)

  • Residência: Portalegre (Freguesia de Alegrete).

  • Actividade profissional: Reformado (funcionário da EDP).

  • Função na Sociedade Musical Euterpe: Antigo músico

  • Entrevista: 2010/2/10_ Portalegre_Sede da Sociedade Musical

"Durante trinta e cinco anos, fosse entre 62 e 97, fiz aqui muitos amigos. Fui bem recebido, fui bem acolhido. Fiz muitos amigos, como já disse. Saí com muitas saudades disto e que ainda hoje estão comigo. Ainda hoje, eu até posso-lhe dizer – eu até sofri muito, moralmente, com a minha saída daqui, mas ninguém me mandou embora! Nem tive desavenças com ninguém. Saí porque começou-me a parecer que já estava demais, que já tinha idade a mais para andar nestas coisas. Porque via à minha volta só gente já muito novinha, muito nova, e, como sabe, escusado será dizer que as ideias, as maneiras de ser destas pessoas da minha idade são muito diferentes desta juventude, não é? Não quero dizer com isto… Eu não quero censurar com isto a maneira de ser da juventude, até, naturalmente, estaria errado eu no meu pensamento e não eles mas, pronto, acabei por me ir embora por me parecer que já estava a mais, que já tinha idade a mais para andar nestas coisas.

Mas eu fui sempre muito… Fui tão amigo disto, da música, que eu chegou-me a parecer sempre que a minha vida me seria impossível sem música. Eu iniciei a minha carreira na música em Alegrete, na minha terra, e toquei na minha terra, salvo erro, vinte e nove anos. E depois vim fazer mais trinta e cinco aqui. Eu tenho quase setenta anos de música, embora já esteja ausente destas coisas agora há nove ou dez anos, mas fiz muitos anos de música. E então gostei sempre muito disto, isto era a minha vida. Todo o meu desporto, em todos os tempos, foi música e teatro. Música e teatro! Porque na minha terra, em Alegrete, fazia-se muito teatro – teatro amador, claro –, fazia-se muito teatro. E então eu, logo por volta dos nove, dez anos entrei naquela carreira de teatro e música, teatro e música, teatro, música e ninguém me tirasse dali que aquilo era meu, aquilo era para mim. Eu não tinha outra vida e tudo mais.

Depois, a determinada altura, por divergências (daquelas divergências, daquelas politiquices que surgem, por vezes, nas colectividades) acabei por me vir embora, por sair de lá. Mas logo, por altura da Páscoa, encontro-me aqui em Portalegre (debaixo, naquela ala do Rossio) com o regente da Banda Euterpe."

 

 

 

 

 

 


 

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