Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Estória curiosa

  • Nome: Miguel Monteiro

  • Idade/Data de nascimento: 36 anos (em 2010).

  • Residência: Portalegre

  • Actividade profissional: Músico

  • Função na Sociedade Musical Euterpe: Director e Músico

  • Entrevista: 2010/2/9 Portalegre Sede da Sociedade Musical

"Vou contar uma que me aconteceu a mim e ao meu irmão, na primeira vez que saímos cá na banda (“sair” quer dizer entrar, ok ? Quer dizer “saímos com a banda”, ou que “entrámos para a banda”, o português é uma língua um bocado…), mas então, foi no dia 1 de Dezembro, que é o dia de aniversário da banda, que é a altura era por excelência a data em que “saíam” os novos músicos para a banda (que entravam, lá está). E então, eu lembro-me perfeitamente de estarmos a marchar, a fazer uma arruada, eu era muito pequenino, o meu irmão também era muito pequenino, o meu irmão tocava clavicorne (o meu irmão é hoje um grande músico, enorme músico), eu era trompetista e ele tocava clavicorne (que é um uma coisa que já nem sequer se usa). Então, ele estava tão nervoso que puseram-lhe um papel dentro do bocal para não fazer barulho, para não fazer fias e a mim puseram a palheta muito para baixo, muito para baixo, mas eu descobri e pus a palheta para cima para ir tocar, claro que dei fífias como é lógico, não é? Mas pronto foi-se tocando.

Lembro-me perfeitamente, estávamos tão nervosos que nem dormimos de noite, na véspera e a parte mais engraçada (era na altura o maestro o senhor Pires, um senhor aqui de Monforte, creio que está em Tomar) e então, lembro-me perfeitamente, esta é que é a parte engraçada, estávamos a marchar, os dois na formatura, com mais trinta e tal músicos, ou trinta e poucos, e então, nós crianças, miúdos, não é? Chegou-nos a vontade de fazer xixi, a mim e ao meu irmão. Como éramos irmãos e temos uma diferença muito pequenina [em termos de idade], quando um tinha vontade de fazer xixi ou outro também tinha, era assim. E então, lembro-me perfeitamente, em frente ao mercado, ali ao pé do mercado municipal, está um parque de diversões para miúdos feito em cimento, que ainda existe em frente à farmácia Elvas. Então a banda ia a arruar e nós, os dois muito aflitos para ir fazer xixi, combinámos os dois, saímos os dois da formatura, entregámos os instrumentos ao maestro (a marchar): senhor Pires, segure lá que a gente vai fazer xixi. Então saímos da formatura fardados, não é? Saltámos o muro, para dentro do parque de diversões e fomos fazer xixi, [risos] depois, acabámos de fazer xixi, andámos a correr atrás da banda, agarrámos os instrumentos, fomos para a formatura e fomos tocando…"

 

 

 

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