Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Saída e Regresso

    • Ana Filipa Garcia Batista

    • Nascimento: 1982

    • Residência: Portalegre. Freguesia da Sé.

    • Actividade profissional: Empregada de Comércio

    • Função no GFCB: Balha, canta, ensaia o grupo infantil

    • Entrevista: 2010/2/5_ Portalegre_Sede do GFCB

"Depois fiz uma paragem aos treze anos. Acabei por sair porque… E uma das situações, que me lembro mais, foi uma vez no Festival de Folclore em Alegrete, eram lá as festas, e eu recordo-me de, na altura, haver foguetes e houve duas canas que caíram em cima do palco, em cima de nós, e uma delas ao pé de mim. Eu, a partir dessa altura, eu criava sempre muito medo: muito medo aos palcos, muito medo de dançar e, às vezes, quando a minha mãe podia ir (que normalmente, antigamente, os pais acompanhavam mais os miúdos), a minha mãe ficava sempre ao pé de mim e ao pé do palco para poder falar comigo, porque eu andava a dançar e andava sempre com medo que voltasse, outra vez, a acontecer.

A partir dessa altura, depois estive assim um bocadinho mais doente e saí aos treze anos. Fiz uma paragem. Eu tenho agora vinte e sete… Voltei, mais ou menos, aos vinte e um, voltei a entrar, mais ou menos, aos vinte e um. Só que, nessa altura em que saí, como gostava de estar sempre ocupada, nessa altura, depois fui para uma instituição de solidariedade – que era a Cruz Vermelha – e acabei por ir ficando. Só que como tinha amigas (na altura na Cruz Vermelha) que também pertenciam ao Rancho, e a minha mãe, na altura como sabia que eu andava doente, não me deixava vir para o Rancho porque tinha medo ou assim… Mas eu, assim às escondidas, via os ensaios. Às vezes, trazia botas de salto alto, mas depois o Braga, lá do cantinho, chamava-me para eu dançar e, pronto, como sempre gostei de folclore, fui vindo aos ensaios.

E o Sr. Janeiro (na altura que era o Presidente), a minha mãe trabalhava no mesmo sítio do Sr. Janeiro. E o Sr. Janeiro dizia à minha mãe: – ai, a sua filha ontem esteve lá no ensaio! – E a minha mãe dizia: – não! Não esteve. Deve ser confusão sua, porque ela nunca mais lá foi. Ela já há muitos anos que não vai ao Rancho. Deve ser confusão.Ai, mas foi, foi! – Até que a minha mãe descobriu que eu andava, que estive, de novo nos ensaios e o Sr. Janeiro pediu-lhe para eu voltar para o Rancho. Depois acabei por voltar, aí há uns anos atrás."

 

 

 

 

 

 


 

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