Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Ensinar o Grupo Infantil

    • Ana Filipa Garcia Batista

    • Nascimento: 1982

    • Residência: Portalegre. Freguesia da Sé.

    • Actividade profissional: Empregada de Comércio

    • Função no GFCB: Balha, canta, ensaia o grupo infantil

    • Entrevista: 2010/2/5_ Portalegre_Sede do GFCB

"É assim, eu gosto de ensinar tudo. Tudo! Tudo, qualquer que seja a dança. Mas eu noto que eles – nós temos nomes como, por exemplo É Certinho, o Bailarico da Alagoa, Oliveirinha são as danças menos complicadas, que não deixam de ter importância, que eles aprendem ao início quando cá estão. Agora aproveitamos esta fase, que é mais parada, e eles aprendem a dançar algumas balhações que nós adultos já dançamos. E eles adoram! E se eles… Eu, por exemplo, há duas semanas atrás estive no ensaio – e eu lembro-me, quando era, por exemplo, no meu tempo nós levávamos meses a ensaiar a mesma música – era cansativo! A gente não gostava, mas tinha que ser. E eu vejo, agora, por eles. Eu tive a semana passada um ensaio de uma hora sempre, sempre, sempre a dançar a mesma. Eu olhava para eles e digo: – bem, se calhar, já chega – porque é muito cansativo. Mas eles estavam todos contentes! Pois quando parei de ensinar aquela e, para fazer um intervalo também era já cansativo, e dancei outra mais antiga, eles: – ai! Essa, outra vez!? – Eles gostam de estar sempre a aprender coisas novas.

Mas, pronto, é complicado porque nós não podemos inventar, não é? Só há mesmo estas balhações – só com o tempo, que a gente vá recolhendo ou outro tipo de coisas é que depois dá. Mas para eles, eles dançam poucas ainda. Há muito mais mais balhações para eles aprenderem. Mas eles dançam tudo. E gostam de aprender tudo! O valsear é que eu noto, alguns têm dificuldades, mas isto até nós. Eles não gostam. Valsear, para já, é a parte principal da balhação, é o valsear. Mas nós, para lhes ensinar como é, assim ao final do ensaio costumamos pôr sempre, pedir aos acordeonistas para tocarem uma valsa e eles estão de um lado para o outro e lá estão, mas estão sempre desertos que acabe. Porque dizem assim: – ai, eu não preciso! Ai, eu já sei dançar! Ai, eu já sei dançar! – E nunca querem! Mas acabam sempre por aceitar bem. Aceitam.

E acho que eles gostam de tudo, mesmo. Até daquelas que eles começaram por dançar no principio, gostam. Gostam. Porque eu noto que eles gostam de dançar. Mesmo em cima do palco, eles dizem sempre… Quando eles saem do palco, eu pergunto sempre se eles gostaram. E eles dizem: – ai, gostámos! E nós fomos os que levámos mais palmas! – Desde que hajam muitas palmas para eles, eles podem estar tempos a dançar. Nem que estejam sempre a dançar a mesma música vinte minutos, meia hora (que normalmente é quase sempre o tempo de actuação), desde de que eles ouçam palmas e que notem que o público gostou, eles… Adoram! E ficam muito felizes."

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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