MEMORIAMEDIA

e-Museu do Património Cultural Imaterial e Memória

Inventário PCI
Quem morreu, já não é nada

Poetas Populares de Grândola - Vídeo Poesia Popular.

“Quem morreu, já não é nada”- Dúvidas relativas ao somos antes de nascer e depois da morte.

Paulatino Augusto; Ano de nascimento: 1929; Concelho de Grândola.

Registo 2007.

Décimas.

Classificação: Proposta por Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.

Transcrição
Quem morreu

Quem morreu, já não é nada.

Já não tem que saber

e passará a ser igual

ao que era antes de nascer.

 

Há quem não conheça a vida

porque a tristeza os percorre,

porque quem morreu já na memória

acabou com a sua lida.

Já não faz coisa mexida,

qualquer coisa admirada.

Porque a morte é uma malvada

mata oito e mata nove,

mas seja rico ou seja pobre

quem morreu já não é mai’(1) nada.

 

Há quem tenha nascido ao mundo,

mas nunca se viu vivente.

E dá que pensar a muita gente,

mas quem souber diz num segundo.

É um problema tão fundo

pra(2) quem não o souber ler,

mas quem bem compreender

pense bem neste assunto:

mais que amor será defunto.

E já não tem que saber.

 

Eu não gostava de ser eterno,

mas de morrer e ressuscitar

pró(3) ao fim de cem anos voltar

para eu ver quem era moderno.

Eu já apontei num caderno

esse problema afinal.

Inté(4) na história de Portugal

muito tenho lido eu,

mas parecido a quem morreu

passaremos a ser igual.

 

 

A quem o sangue parou,

decerto que faleceu,

mas o que na sua vida deveu

com a morte de outro pagou.

Tudo isto se aproximou

por o seu corpo se derreter.

Começa-se todo a desfazer

mesmo debaixo do chão.

Mas dêem-me esta explicação:

o que é que somos antes de nascer?»

 

Paulatino Augusto, Grândola, Fevereiro de 2007

Glossário:

(1) Mai’ – abreviatura oral de “mais”,

(2) Pra – abreviatura oral de “para a”.

(3) Prò – abreviatura oral de “para o”.

(4) Inté – até.

 

 

 

 

 

 

 

 

Caraterização
Identificação
Tradições e expressões orais
Manifestações literárias, orais e escritas
Quem morreu, já não é nada
1929
Paulatino Augusto
Contexto de produção
Comunidade - Poetas Populares de Grândola
Contexto territorial
Biblioteca Municipal de Grândola
Grândola
Grândola
Setúbal
Portugal
Contexto temporal
2007
Actualmente sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Grândola.
Património associado
A poesia alentejana de Grândola era dita em festas, feiras, locais de entretenimento e principalmente em tabernas.
Contexto de transmissão
ativa

Poetas populares em iniciativas esporádicas do Município de Grândola. Em Grândola, vários poetas populares participam na iniciativa Rota das Tabernas (16ª edição em 2010) realizada em Junho.

Existem vários Encontros de Poetas Populares, nomeadamente em concelhos do Alentejo e do Algarve.

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