[Ida ao Balancé]
«Como agora há o jogo da malha, antigamente havia o jogo do balancé. Mas aquilo só lá ia gente de bem! Muito bem preparados, não é verdade?
E atão quem era o presidente lá do jogo do balancé? Era o meu avô. E depois o meu pai era assim rapazote e tinha uns colegas e um colega disse:
– Ó pá! Pede lá ao teu pai pa' me levar a um jogo do balancé!
Filho – Ãh! Aquilo tem que ser gente de bem! Muito bem preparado...
E o rapaz disse:
– Mas eu vou-me preparar bem! – Assim foi. Foi-se preparar bem...
Até que o meu avô disse:
– Atão vá! Diz lá ao teu colega que venha. Ele diz que se prepara bem... E ele começou a dizer:
Pra um balancé fui convidado
pel' um rapaz meu amigo.
Eu deveras ia vestido,
pra não me ver envergonhado.
Levava colete encarnado,
calça meia carmesim.
Eu deveras lhe apareci
pra não me ver envergonhado.
Mas não sei que voltas o balancé deu,
que abalei de lá todo cagado!
Desculpem a expressão que não é da minha relação! Ai, Jesus! E bendito louvado o continho 'tá acabado e na' sei se não será do vosso agrado!
Luísa de Jesus, 76 anos, Amieiras (conc. Mora), Junho 2007