Eu venho d’ além do rio
«Eu venho d’ além do rio
de regar o meu nabal.
Trago duas folhas verdes
no bolso do avental.
No bolso do avental,
na renda do meu vestido.
Amor, que eu vou prà guerra
deixa-me dormir contigo.
Ai, agora é que m’eu maneio
é que m’ eu maneio,
é que m’ eu maneio.
Nos braços do meu amor,
eu vivo sem a receio.
Ai, agora é que m’eu maneio
éque m’ eu maneio,
é que m’ eu maneio.
Nos braços do meu amor,
eu vivo sem a receio.
Deixa-me dormir contigo,
uma noite não é nada.
Eu entro pelo escuro,
saio pela madrugada.
Nem entras pelo escuro,
nem sais pela madrugada;
Eu sou uma rapariga nova
não quero ser difamada.
Ai, agora é que m’eu maneio
é que m’ eu maneio,
é que m’ eu maneio.
Nos braços do meu amor,
eu vivo sem a receio.
Não quero ser difamada
nem por ti, nem por ninguém.
Não quero dar o desgosto
ao meu pai e à minha mãe.
Ai, agora é que m’eu maneio
é que m’ eu maneio,
é que m’ eu maneio.
Nos braços do meu amor,
eu vivo sem a receio.»
Maria Alice Machado, Vimioso, Outubro de 2010