A bela infanta
«Estando a bela Infanta, no seu jardim assentada;
com um pente d’oiro na mão, seu cabelo penteava.
Com um pente d’oiro na mão, seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao largo, viu lá vir a bela armada.
Capitão que nela vinha, que tão bem a dominava.
Capitão que nela vinha, que tão bem a dominava.
- Dizei-me vós, capitão, dessa tão formosa armada,
se vistes o meu marido, nas terras que Deus pisava?
- Pois dizei-me vós, senhora, que sinais é que levava?
- Levava cavalo branco, selim de prata doirada,
na ponta da sua lança, a cruz de Cristo levava.
Na ponta da sua lança, a cruz de Cristo levava.
- Pelos sinais que dizeis, tal cavaleiro não vi.
Mas quanto dareis, senhora, a quem vos o traga aqui?
- Daria tanto dinheiro, que não tem conto nem fim,
e as telhas do meu telhado, que são de oiro e marfim.
- Guardai lá o vosso dinheiro, as telhas de oiro e marfim.
Vosso marido aqui está, reparai bem para mim.
- Se tu és o meu marido, porque me falas assim?
Esse anel de sete pedras, que eu contigo reparti,
que é dela, a outra metade? Pois a minha vê-la aqui!
- Andai cá, ó minhas filhas, que o vosso pai é chegado.
Abram-se se os nobres portões, há tantos anos fechados.
E vamos dar graças a Deus, graças a Deus consagrado.»
Maria Clara, Idanha-a-Nova, Setembro de 2010