O Ciclone
Queiram ouvir, portugueses
Foi para todos, em geral
Um ciclone tão violento
Nunca houve em Portugal
Já parecia o fim do mundo
Causou muita admiração
Casas, telefones no chão
Por um poder furibundo
E que repetia segundo
Pois os sábios, muitas vezes
Querem-se pôr a adivinhar
Mas não puderam anunciar:
Queiram ouvir, portugueses!
Ali não vale a aviação
Nem peças de artilharia
Nem as granadas de mão
Nem armas de infantaria
Pescadores e marinheiros
Também foram naufragados
Os seus barcos afundados
E perdendo esses dinheiros
Morrendo alguns companheiros
Nesse desastre tão fatal
Na nossa terra natal
Ficou gravado na história
Como esse, não houve memória
Nunca houve em Portugal
Estes versos foram escritos na Berlenga. E eu como estava lá quando foi do ciclone, apanhei-os todos.