A venda do sargaço
Aquelas familiazinhas mais pobrezinhas iam apanhar o sargaço para vender. Vendiam o quê? Tanto vendiam a carrelada em argaço ainda verde, consoante saía da praia, ou então depois de seco. Mas depois havia o preço dum e doutro diferente, não é? Enquanto uma carrelada de argaço verde, a sair da praia, era vendido por quinze tostões, dois escudos, dependia, depois de seco já era mais caro, porque já acumulava mais. Por exemplo, quatro carreladas de argaço verde, dá uma de seco. E então havia aquela diferença. E essa gente mais pobrezinha ia apanhar o sargaço para vender. Não era porque eles precisassem dele, tinham necessidade era de vender para angariar alguns tostões.
Fora isso, havia também os agricultores, que esses apanhavam com mais abundância. Tinham outras facilidades, porque havia lavradores que tinham gado, tinham carros de bois, não é? E então tiravam a maior quantidade que pudessem e depois, em vez de andar à carrelada, traziam os carros de bois à praia, carregavam os carros e levavam para as dunas para secar. A maior parte era tudo agricultores porque tinham necessidade do sargaço para o adubo das terras.