A praça de homens
"Eu nunca andei lá, mas sei como é que era. Era ali um círculo assim todo. Depois chegava ali os cães grandes (chama-se isso, não era?); os grandes.
- Tu e tu e tu e tu, vais para mim. Quanto é que é?
A praça saía, por exemplos, cinquenta escudos. Depois já começou a ser mais. Hoje já é… é cinquenta euros! Mesmo só a cortar umas vides com uma tesoura! Hoje é que se ganha dinheiro. Agora… Porque isto agora… Com carroças não dava nada! Como é que se arranjava as fazendas? Dantes era tudo cavado a homens! Percebe? Agora não, agora passa o tractor por aqui pela mata acima, leva um bocado de remédio ao pé da cepa, acabou-se. As minhas ainda – algumas – ainda são arranjadas, são cavadas ao pé da cepa. Mas sou eu, porque gosto de as ver arranjadas como deve ser. Tudo franjado ao meio… Quando é ali no Verão, está ali que é uma peluda: uvas de mesa que aquilo parece bugalhos. Está bem, está…"