Os comissários
"A uva era mais de dez ou doze horas. Era: apanhava-se de dia, depois ia para o lagar, e depois à noite é que era pisada e era metida nos poços – e a gente é que fazia esse trabalho. Era ao serão. Pisava-se; era uns a pisar, outros a encher. E isso estava fora de horas! Já não havia horas.
[João Grácio]
A gente fazia aquilo que o patrão mandava.
Naquele tempo vinham aqui uns comissários, a malta de Bucelas, daqui e dacolá… Vinham os comissários, levavam umas amostras de vinho. Depois eram vendidos. Assim pelas adegas, não é? Era esta aqui, esta aqui ao lado que também está ali fechada… Toda a gente tinha adegas de vinho. O vinho era todo feito em casa. E depois vinham os comissários, levavam as amostras e era vendido para os armazéns: para Lisboa, para Bucelas, para diversas partes, pronto. Ia para os armazéns. Para a Malveira… E era assim."