As pulhas
E lembra-me ainda também das pulhas. Cantavam-se as pulhas; chamavam-lhe as pulhas: eram uns versos que arranjavam às pessoas. Uns grupos e outros. E lembro-me – tenho ainda este na ideia, que me lembro de ouvir. Os homens de Sobreiro Curvo amanhavam lá as fazendas ao pé do Casal de Além. E lembra-me deles dizerem isto – é só isto que eu me lembro, mas havia assim mais do género. Diziam assim:
Esta pulha vai deitada
Em cima desta coelheira
Aquele homem que lá anda
Anda com uma grande bebedeira
E depois aquele inventava outro verso e sacudia para eles também! Quer dizer, assandalhavam, as coisas através de versos uns para os outros.
Georgino Rodrigues ,2010, Maceira ,Torres Vedras