Pobreza
Era muito pobre. Já era crescidinho, pois. Ia com a minha mãe ao senhor Lino, a A-dos-Cunhados, fazer compras. Ia num burrico, ia lá ao senhor Lino levar compras para casa e levava uma caderneta, um livrinho (parece que estou mesmo a ver…) com uma capazinha vermelha, para eles assentarem o que é que levava. Não tinha dinheiro! Tinha que ficar assente aquilo. Ia-se acumulando, acumulando… Depois só era pago quando, por exemplo, o meu pai vendesse alguma searazinha – é que ia lá pagar. Materiais e tudo, pedia logo tudo fiado. Só que depois pagava quando vendia, pronto. E as raparigas, ia tudo servir para Lisboa. Eram as sopeiras. Não havia dinheiro, tinham de ir arranjar alguma coisinha para elas.
Georgino Rodrigues ,2010, Maceira ,Torres Vedras