A falcoaria consiste na utilização de aves de presas treinadas para a caça de animais selvagens no seu ambiente natural. Para isso o falcoeiro tem de munir-se de conhecimentos específicos sobre as aves de presa, o seu treino, sobre as espécies a capturar e seus habitats. O falcoeiro deve usar a sua sensibilidade e os conhecimentos desenvolvidos pela falcoaria, ao longo de séculos, para treinar a ave de presa e a manter em excelentes condições. Isto envolve cuidar da sua saúde e melhorar continuamente a sua condição física. Depois do processo de treino, falcoeiro e ave de presa, forjam uma parceria única. No ambiente natural das suas presas esta parceria procura vencer as estratégias naturais de fuga da presa para conseguir a sua captura. O valor mais elevado nesta demanda é o da beleza do lance de caça e não a da captura da presa.
Sobre a Prática da Falcoaria
"Na prática distingue-se entre o alto-voo e o baixo-voo:
O alto-voo é o mais espetacular e também o mais difícil, o mais exigente e o que reúne um maior número de condicionalismos, a par de uma menor rentabilidade na captura de peças. Neste tipo de lance são usados falcões que perseguem as suas presas no ar durante grandes distâncias e muitas vezes a grande altura. Este foi, pela sua beleza, o lance clássico da falcoaria europeia. O falcão necessita estar nas melhores condições físicas para conseguir superar a sua presa, uma vez que muitas das capturas dão-se em pleno voo.
A altanaria é considerada uma vertente do alto-voo. Neste lance, o falcão é solto antes da peça de caça levantar voo, de modo a que ascenda sobre o terreno de caça - "remontando" - até se colocar bem alto (na ordem da centena de metros), onde aguardará descrevendo pequenos círculos ou "tornos". Ao levantar-se a caça, o falcão cai do céu num perfurante e rapidíssimo voo picado, podendo atingir velocidades próximas dos 300 km/hora. A maioria das capturas ocorre em voo, mas ocasionalmente algumas presas são mortas por impacto. Esta modalidade requer grandes espaços abertos, pouco arborizados. Caçam-se aves como corvídeos, patos, perdizes e faisões.
Em baixo-voo, o lance é mais simples e produtivo na cobrança de peças de caça, mas não menos dinâmico. Neste tipo de lance, a ave caçadora é lançada diretamente do punho enluvado do cetreiro (ou de um poleiro proeminente) no encalço da peça de caça já em voo ou corrida. Depois desenvolvem-se todos os movimentos de fuga e perseguição. Quando a ave alcança a presa geralmente produz-se "o agarre", tendo nesse momento a ave de demonstrar grande bravura e mestria para abater a sua presa. As aves de presa geralmente usadas nesta variante são açores, búteos ou águias. Para esta modalidade, qualquer terreno é adequado: planura ou montanha, bosque, ribeira ou campina, podendo caçar-se tanto "pena" (patos, perdizes, faisões) como "pelo" (lebres e coelhos bravos).
Texto da Associação Portuguesa de Falcoaria in http://www.apfalcoaria.org/ (23-02-2015)
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