- "Uma altura, eu já devia de ser nascida. Lembro-me de me contarem isso, a minha família. Que havia também ali uma reza, que se calhar até era isso mesmo. Que ia noitar com os cães a Lamas de Mouro. E diz que há em cima umas fragas, chamam-lhe as Lazas dos Poços. E ao chegar ali, diz que tirava a roupa toda e que se espudrinhava toda naquela areia. (...)
Se estivesse espudrinhado ali um cão já ia na figura de um cão, se fosse um lobo ia na figura de um lobo. Depois dali ia noitar com os cães a Lamas de Mouro.
E a mulher uma noite, que agarrou-o e que veio atrás dele (...). Chegou lá à Fraga dos Poços, tirou a roupa, espudrilhou-se naquele areal e depois que lá foi na figura de um cão. Mais dali um bocadinho já ladravam os cães em Lamas.
E ela que veio a correr, diz que só teve tempo – que estavam a cozer, que tinha o forno a arder - só teve tempo de botar a roupa para dentro do forno.
Assim que a roupa estava a começar a arder, que já lhe disse: «O que a ti valeu foi a roupa estar a arder, se não matava-te.». E quebrou-lhe o fado."