Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Corre corre cabacinha

nome:
Maria Augusta
ano nascimento:
1932
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                 
distrito:
Évora
data de recolha: 2007
 
 

Dados de inventário
  • Corre corre cabacinha
  • Mora

    "Corre corre cabacinha" - Através da astúcia uma velhinha escapa a um lobo guloso.

    Maria Augusta; Mora; Concelho de Mora, Évora

    Registo 2007.

Transcrição
  • Corre, corre cabacinha

     

    Era uma vez uma velhinha. Bem, coitadita, na' tinha mais ninguém, vivia sozinha no meio de uma floresta.

    Mas, noutros tempos, tinha tido uma filha. A filha entretanto cresceu, fez-se mulher, fez-se uma senhora, foi pra Lisboa. Lá, arranjou um rapaz pa' namorar e tratou do casamento.

    E a velhinha sempre lá a viver na floresta. Um belo dia, chegou-lhe a filha à porta (um grande automóvel, tudo muito preparado) pa' convidar a mãe pò casamento. E disse-lhe a mãe:

    – Ó filha! Como é que tu queres que eu vá pò casamento, se eu vivo aqui no meio de uma floresta destas?! Atão, os lobos comem-me no caminho!

    Filha – Na' comem! Ó mãe na' tenhas medo, que os lobos na' te comem! Vá!

    Bem, assim foi. A velhota lá foi. Chegou assim a um cerrozinho, apareceu um lobo com os dentes arreganhados!

    Lobo – Ai, velha! Que eu agora como-te!

    A velha, esperta, (as velhas são todas espertas) disse pra ele:

    – Olha! Olha lobo, vamos fazer aqui um contrato. Na' me comas! Que eu agora vou ao casamento da minha filha, como lá muita carne e muito bolo e venho de lá mais gorda! Atão, depois tu comes-me.

    Lobo – 'Tá bem! – O lobo muito guloso. – 'Tá certo.

    Lá foi a velhinha. Ora, um grande casamento: comeu, bebeu, comeu, bebeu... Passou três dias naquela vida... A velha já não parecia a mesma! Nisto aproximou-se a hora de ela se ir embora e começou a chorar! Disse-lhe a filha:

    – Ó mãe, tu 'tás a chorar de quê?

    Velhinha – Ora filha... Atão eu combinei com o lobo, quando vinha pra cá, que vinha ao teu casamento e agora à volta, pra lá, é que ele me comia que eu 'tava mais gorda! E agora ele 'tá lá.

    Filha – Olha, na' tenha medo! Na' há problema. Tome lá esta cabaça(4). Quando for lá quase a chegar, meta-se dentro da cabaça. Você sabe o que é que há-de fazer!

    Tal e qual! Quando ia lá a chegar ao cerrozinho lá estava o lobo. A velhota pensou "bem, é aqui que o lobo deve de estar". Lá se enrolou toda dentro da cabacinha, quietinha dentro da cabacinha, e lá foi a cabacinha a rebolar. Parou-a o lobo! Disse o lobo:

    – Ó cabacinha! Tu não viste p'aí uma velhinha?!

    Cabaça – Eu na' vi cá nem velhinha, nem velhão! Rebola cabacinha, rebola cabação! Leva-
    -me à minha casinha, leva-me ao meu casão! E tu lobo ficaste aí feito gulosão, que na' meteste o dentão!»

    E pronto. Assim o enganou!

     

    Maria Augusta, 75 anos, Mora, (conc. Mora), Junho de 2007.

     

     

Caracterização
    • Classificado segundo o sistema internacional de Aarne-Thompson:*122 F (Marzolph) Fuga dentro de uma Cabaça.

     

    • Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.
Identificação
  • Corre corre cabacinha
  • Maria Augusta
  • 1932
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mora, Casa da Cultura de Mora
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

    - Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

    - Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

    - As lendas vão à escola - 2005

    - O Talego Culto - 2007

    - O Talego ambiental - 2007 a 2008

    - Comunidade do Canto do Lume

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa
Arquivo
  • 31/08:51 - 11:38
  • 1/Mora 2011/Mora6

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