Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O Galo

nome:
Maria Bernardina
ano nascimento:
1939
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                   
distrito:
Évora
data de recolha: 2007
 
 

Dados de inventário
  • O galo
  • Mora

    "O galo" - Um galo quer casar com a princesa e tem todas as artimanhas para escapar à morte.

    Maria Bernardina; Mora; Concelho de Mora, Évora

    Registo 2007.

Transcrição
  • O galo

    Havia um galo que era assim: esgravatava no meio de tudo – das galinhas, dos galos dos pintos, dos perus.

    Galo – Quiriquiqui! Eu chamo por o carimbo d'ouro e quero ir casar ca filha do rei!

    Empregado – Ó patrão! – Disse o empregado ao patrão. – Ó patrão, atão, o galo é só dizer que quer ir casar com a filha do rei! Chama por o carimbo d' ouro!

    Patrão – Olha, leva lá o galo e mete-o lá dentro da talha do azeite. – E atão foi.

    Mas o galo, antes disso, apanhou uma pedra e... Bom, ele lá apanhou aquelas coisas todas.

    E atão levou o galo.

    O me' belo galo largou lá a pedra... – Pisssst! – A talha do azeite foi[-se] e o galo saiu pra fora. Foi, outra vez:

    – Quiriquiqui! Chamo pelo carimbo de ouro, quero me ir casar ca filha do rei.

    Empregado – Ó patrão! O galo é só cantar que quer ir casar com a filha do rei.

    Patrão – Olha, vai lá metê-lo dentro do forno e faz um (...). Qualquer marcha.

    Ele foi pra dentro do forno, foi! Mas ele abriu o rabito, largou ali a água, apagou o forno e saiu cá pra fora. E, atão, no fim, o galou cantou, outra vez:

    – Quiriquiqui! Eu chamo por o carimbo de ouro, quero-me ir casar ca filha do rei.

    Empregado – O que é que a gente faz ao galo, patrão?!

    Patrão – Olha, 'tão além as mulheres a descamisar milho, tu levas o galo e dizes às mulheres que abafem lá todas o galo, lá debaixo!

    Mas atão o galo tinha o abespreiro lá dentro. Assim que o galo lá abana o rabito, ora as abespras de roda do rabinho das senhoras – ai mãe! Aquilo é que foi fugir!

    Ninguém conseguiu fazer nada do galo! O galo cantou sempre que queria ir casar ca filha do rei, mas acabou por não casar ca filha do rei! Mas também não o mataram, porque ele mordeu as senhoras todas e ninguém faz nada dele. E ficou sempre valente!

     

    Maria Bernardina, Mora, Junho de 2007

     

Caracterização
    • O Galo: ATU 715 (incipiente) Demi-Coq  (O Pinto Calçudo)

     

    • Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Junho de 2007.
Identificação
  • O galo
  • Maria Bernardina
  • 1939
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Mora, Casa da Cultura de Mora
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

    - Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

    - Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

    - As lendas vão à escola - 2005

    - O Talego Culto - 2007

    - O Talego ambiental - 2007 a 2008

    - Comunidade do Canto do Lume

Equipa responsável
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa
Arquivo
  • 31/42:25 - 44:02
  • 1/Mora 2011/Mora6

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