MEMORIAMEDIA

e-Museu do Património Cultural Imaterial e Memória

Designação: Pastelaria Canhão- Confecção da Sericaia, doce regional de Elvas
Freguesia: Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso
Concelho: Elvas
Distrito: Portalegre
registo:
2013
 

 

Inventário PCI
Pastelaria Canhão - Sericaia de Elvas

Pastelaria Canhão - Sericaia de Elvas

A sericaia é um bolo de raiz conventual, afamado na doçaria alentejana, em geral, e elvense, em particular. Também é conhecida por sericá. É feita à base de leite (liquido ou em pó), farinha, ovos e açúcar.

Esta receita é feita e servida nas casas particulares, pastelarias e restaurantes.

Nicolau tem 69 anos (em 2013) e é um dos mais antigos pasteleiros que faz a sericaia. Começou a trabalhar e aprendeu a fazer sericaia aos 28 anos (em 1972), abriu a fábrica da Pastelaria Canhão em 1981.

A partir dos anos 70 a sericaia começa a ser servida com a ameixa doce em calda de Elvas.

Segundo a descrição de Luís Silveirinha, proprietário da fábrica Mário da Conceição Frutas doces , a junção da ameixa com a sericaia foi uma invenção que aconteceu em Elvas nos anos 70, do seu pai Mário Conceição e do então Director da Pousada de Elvas.

Registo: União das freguesias Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, concelho de Elvas, 2013.

Transcrição
Caraterização

Ingredientes:

15 ovos médios

1,5kg de açúcar (1kg no creme e ½ kg nas claras)

300g de farinha

150g de leite em pó (ou 1L de leite líquido)

1,5L de água se usar o leite em pó (ou ½ L de água se levar o litro de leite líquido)

 

Modo de preparação:

Batem-se as gemas com o 1kg de açúcar, a farinha e o leite em pó. Depois de tudo bem incorporado leva-se ao lume brando, junta-se aos pouco 1,5 litros de água morna e mexe-se até fazer um creme. Em fervendo (e se começar a ver o fundo ao tacho), tira-se e deixa-se arrefecer. Batem-se as claras em castelo com ½ kg de açúcar, junta-se ao creme, mas só quando este estiver morno. Envolvem-se as claras com a massa utilizando a mão toda aberta .

Depois de bater, deita-se tudo num prato grande de barro (também há quem utilize pratos de estanho) - deitando o creme às porções desencontradas e fazendo o desenho das fendas. Cobre-se o doce com um pouco de canela em pó e vai ao forno a lenha durante cerca de hora e meia para crescer e abrir fendas.

Em Elvas era usual servir-se a sericaia fria em grandes pratos de louça branca, actualmente, porque a fábrica que fazia esses pratos fechou, na Pastelaria Canhão serve-se a sericaia em grandes pratos de barro.

Utensílios utilizados

Tachos de cobre

Batedeira manual e eléctrica

Prato de barro

 

Sobre Pastelaria Canhão

Nicolau tem 69 anos (em 2013). Começou a trabalhar como pasteleiro e aprendeu a fazer sericaia aos 28 anos (em 1972), abriu a fábrica da Pastelaria Canhão em 1981.

 

Sobre a Sericaia ou Sericá

Não existe consenso sobre a origem da receita da sericaia. Encontram-se referências a origens indianas, brasileiras e portuguesas. Na Gastronomia e Vinhos do Alentejo (2000)Alfredo Saramago refere: a dúvida nunca mais se resolve. Uns dizem que a receita veio da Índia, outros que ela veio do Brasil. O que é certo é que desde os tempos da nossa Expansão que a sericaia ou sericá era executada, com todo o esmero, por dois conventos alentejanos que se arrogavam de direitos de importação da receita. (Saramago, :242) Neste caso o autor referia-se ao convento das Chagas de Cristo, de Vila Viçosa e o de Santa Clara, de Elvas. Há até a alusão à competição entre estes dois conventos para justificar os dois nomes atribuídos ao doce - Sericá e Sericaia. Segundo a lenda, a Sericaia teria origem no Convento das Chagas, mas no Convento das Clarissas acrescentou-se canela à receita e a partir daí a Sericaia passou a fazer mais sucesso.

Neste caso a sericaia seria uma receita contemporânea da origem da doçaria conventual em Portugal no século XV. Altura em que o açúcar entrou na gastronomia dos conventos, com a produção da cana de açúcar da Madeira.

Sobre a origem oriental a lenda diz que a sericaia é uma receita mais remota e terá tido a sua origem em Malaca, e a sua receita foi trazida pelo copeiro de D. Constantino de Bragança, sétimo vice-rei da Índia.

 

Bibliografa:

FONSECA, Maria Lucinda e SIMÕES, Jorge M. (2001) Tradicionalidade no Alto Alentejo Percursos. Colecção Artes e Ofícios. Lisboa: Livros e Leituras.

GAMA, Eurico (1966) Comezainas e gulodices. Elvas: Ed. do autor.

GAMA, Eurico (1967) A arte do papel recortado . Porto: Junta Distrital, 1967. In Revista de Etnografia n.º 14.

SILVA, J. A. Capela e (1947) Estudos alentejanos: a linguagem rústica no concelho de Elvas. Lisboa: Revista de Portugal.

Identificação
Processos e técnicas tradicionais
Cozinha, alimentação e estimulantes
Pastelaria Canhão - Sericaia ou Sericá
1944
Nicolau António Rosa Canhão
Empresário
Contexto de produção
Pastelaria Canhão - Sericaia de Elvas
1981

Pastelaria Canhão

Nicolau António Rosa Canhão

Pastelaria Canhão

Nicolau António Rosa Canhão

Investimentos na Fábrica e na manutenção da qualidade do produto. Diversificação dos produtos.

Nicolau Canhão considera que a fábrica neste momento tem clientes suficientes para estar a funcionar. Em relação ao futuro, acha que não tem descendentes interessados em continuar o fabrico da sericaia.

 

Contexto territorial
Elvas
União de Freguesias da Assunção, ajuda, Salvador e Santo Ildefonso
Elvas
Portalegre
Portugal
Contexto temporal
2013
Funcionamento semanal
Património associado

Ameixa doce em calda

 

Utensílios utilizados

Tachos de cobre

>Prato de barro

Não se aplica

Contexto de transmissão
activa

Pastelaria Canhão

Nicolau António Rosa Canhão

Português
Equipa
José Barbieri
Filomena Sousa

 

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