Os dois compadres
"Havia dois compadres. E, coitados, em Lisboa não conheciam nada. Foram para Lisboa e já não se viam há muito tempo. Encontraram-se em Lisboa, no eléctrico. E, coitados, como não se viam há muito tempo, andaram por Lisboa, por aqui, por ali e por acolá, coitaditos: perderam-se em Lisboa. Mas lá encontraram um homem e perguntaram se havia uma casinha que alugasse quartos, que já era de noite! Já era de noite! E então, o homenzinho ensinou uma caseca, uma pensão. Eles foram. Lá bateram à porta e vem o homenzinho, disse:
- Olhe, a gente queríamos um quarto.
- Está bem, mas os senhores são dois… Tenho um quarto mas só com uma cama.
- Ah, isso não faz mal! Isso não faz mal! Não faz mal…
Os homens, coitados, foram para o quarto, deitaram-se. Mas um adormeceu. E o outro estava acordado. E o outro acorda ao estremecer da cama – a cama a estremecer. Diz o outro:
- Eh, c’mpadre! Qu’é que ‘tá fazendo, que ‘tá a cama estremecendo?
- Eh, c’mpadre! ‘Tou-me alembrando da minha Maria, ‘tou batendo uma!
E ele disse assim:
- Então o compadre ainda não deu por ela que o alho não era o seu?!"