Os lobos e as carquejas
Houve um dia que fui eu e a minha irmã Lina. Íamos buscar o nosso molho de carquejas[1]. E andava aqui um moço (um moço: um homem!) aqui do Lugar-de-Cima, de Vila Boa, com as vacas. E nós estávamos a cortar as carquejas com a fouce, para trazermos para casa. E não víamos nada; não fazíamos caso. E ele a olhar para nós.
- Ó raparigas, olha o lobo à vossa beira! Olha o lobo, olha o lobo! -que ele era um bocado gago, coitadito: -Olha o lobo, olha o lobo!
Nós estávamos cheias de medo, pois está claro. Começámos a resmungar e a fugir! Começámos as duas a fugir – deixámos as carquejas!
[1] O mesmo que urze ou caruma, que se usa em molhos como acendalha.