Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Delgadinha

nome:
Adélia Augusta, Maria Falcão e Maria Lopes
ano nascimento:
1933, 1935 e 1938 (respectivamente)
freguesia: Caçarelhos
concelho:
Vimioso
distrito:
Bragança
data de recolha: Outubro 2010
 
 
 

Dados de inventário
  • Delgadinha
  • Vimioso

    "Delgadinha" - Romance sobre o incesto. Neste caso, cantado durante a segada.

    Grupo de Vimioso - Maria Falcão e Maria Lopes.

    ano de nascimento  1935 e 1938 (respectivamente). Caçarelhos.

    Registo 2010.

Transcrição
  • Delgadinha

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    queres tu ó delgadinha,

    ser a minha namorada?

     

    - Não quero, meu pai não quero,

    fazer a mãe mal casada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Não quero, meu pai não quero,

    fazer a mãe mal casada.

     

    Mandou fazer uma torre

    com sete salas fechadas.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    mandou fazer uma torre

    com sete portas fechadas.

     

    Pra meter a delgadinha,

    Sem comer nem beber água.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Pra meter a delgadinha,

    Sem comer nem beber água.

     

    A comida que lhe dava

    era sardinha salgada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    A comida que lhe dava

    era sardinha salgada.

     

    A bebida que lhe dava

    era água da pescada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    A bebida que lhe dava

    era água da pescada.

     

    Subiu a uma ventana[1],

    Mais alta que onde estava.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Subiu a uma ventana,

    Mais alta que onde estava.

     

    Onde avistou seu irmão

    na praça a jogar barra.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Onde avistou seu irmão

    Na praça a jogar barra.

     

    Ó irmão da minha vida,

    dá-me uma pinguinha de água.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Ó irmão da minha vida,

    dá-me uma pinguinha de água.

     

    - Já há sete anos que aqui estou,

    sem comer nem beber nada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Já há sete anos que aqui estou,

    sem comer nem beber água.

     

    - Eu bem água assim te a dava,

    Se meu pai não me ralhara.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Eu bem água assim te a dava,

    Se meu pai não me ralhara.

     

    Subiu a outra ventana,

    mais alta que onde estava.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Subiu a uma ventana,

    Mais alta que onde estava.

     

    Onde avistou sua mãe

    numa cadeira assentada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Onde avistou sua mãe

    numa cadeira assentada.

     

    Ó minha mãe da minha vida,

    dê-me uma pinguinha de água.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Ó minha mãe da minha vida,

    dê-me uma pinguinha de água.

     

    - Já há sete anos que aqui estou,

    sem comer nem beber nada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Já há sete anos que aqui estou,

    sem comer nem beber água.

     

    - Eu bem água assim te a dava,

    Não me fizeras mal casada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Assim te água levava,

    não me fizeras mal casada.

     

    Subiu a outra ventana,

    mais alta que onde estava.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Subiu a uma ventana,

    Mais alta que onde estava.

     

    Onde avistou seu pai

    na praça a jogar à espada.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    Onde avistou seu pai

    na praça a jogar à espada.

     

    - Ó meu pai da minha vida,

    dê-me uma pinguinha de água.

     

    Delgadinha, delgadinha,

    delgadinha bem delgada,

    - Ó meu pai da minha vida,

    dê-me uma pinguinha de água.

     

    - Eu água dava,

    se me cumprires a palavra.

    - A palavra está cumprida,

    Depois de beber a i-água[2].

     

    Mandou dois soldados

    levar água à delgadinha.

    O primeiro que lá chegare[3],

    ganhará a minha espada.

    O último que lá chegare

    ganha cabeça cortada.

    Um corria, outro corria,

    chegaram os dois ao pai.

    Quando lá chegaram

    Viram a delgadinha amortalhada,

    Aos pés da delgadinha,

    Uma fonte de água clara.

     


    [1] Janela

    [2] Água

    [3] Chegar

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
Identificação
  • Delgadinha
  • Grupo de Vimioso
  • Ver resumo
  • Trabalhadoras agrícolas reformadas.
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Caçarelhos, Vimioso, casa de Francisco Augusto
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Vimioso
Manifestações associadas
  • Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Residentes do concelho de Vimioso que são convidados para iniciativas do Município e Biblioteca de Vimioso. Principais actividades desenvolvidas que estas manifestações culturais:

    Sons e Ruralidades em Vimioso

    ANAMNESIS - Encontro de Cinema, som e tradição oral.

    Feira de artes, ofício e sabores

    (ver links em documentação)

Equipa responsável
  • José Barbieri e Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri - realização do documentário (ver link em documentação)
Arquivo
  • 36/32:50 - 48:41
  • 1/Vimioso2012/Vimioso5

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