Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

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e-Museu do Património Cultural Imaterial

Ameixa de Elvas - Pina e Martins

Designação: Ameixa de Elvas
Freguesia: União das Freguesias de Assunção, ajuda , Salvador e Santo
Concelho: Elvas
Distrito: Portalegre
Data de recolha:
2013

 

 

Dados de inventário
  • Pina & Martins – Ameixa de Elvas
  • Pina & Martins – Ameixa de Elvas

    A preparação e confeção de ameixas secas e ameixas em calda é uma das tradições da região de Elvas. Algumas famílias estão ligadas a este setor de atividade há várias gerações.

    A Fábrica Pina & Martins foi fundada pela família do marido de Maria Costa nos anos 20 do século XX. Por decisão da família a fábrica fechou nos anos 80.

    Na fábrica a ameixa passava por uma 1.ª cozedura: era fervida somente em água. Depois de devidamente fervida ia para dentro de uma calda de água com açúcar. A calda passava por dois pontos. Ao 2.º “ponto” a fruta ficava pronta.

     

    Registo: União das freguesias Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, concelho de Elvas, 2013.

Caracterização
  • O processo começa em Junho/Julho quando é apanhada a ameixa Rainha Cláudia. Para este fim, a fruta, que é doce e tem uma certa acidez, deve ser apanhada ligeiramente verde, ainda dura, a iniciar o estado de maturação. Se for apanhada já madura, corre o risco de se desfazer na primeira cozedura.

    As ameixeiras de Rainha Cláudia desenvolvem-se em solos profundos e bem drenados e com boa exposição solar, existem alguns pomares em Elvas, mas, desde o início da produção industrial das ameixas doces, a maior parte da matéria-prima vem dos pomares de Estremoz.

    Assim que a fruta é apanhada é transportada para a fábrica. Conforme chega é pesada e, para manter a qualidade, tem de ser cozida no próprio dia, não se deve guardar a fruta de um dia para o outro.

    Na fábrica a ameixa passa pela 1.ª cozedura: é fervida somente em água (em tachos de cobre). Depois de devidamente fervida (cerca de 10 minutos) vai para dentro de uma calda de água com açúcar.

    A calda é feita previamente e, enquanto a ameixa coze, é distribuída, morna, em alguidares de plástico (um plástico próprio que aguenta temperaturas elevadas).

    Assim que a ameixa está no ponto ideal de cozedura é retirada com uma “atiradeira” (espécie de escumadeira) do tacho, da água quente, para os alguidares de calda. O ponto de cozedura é confirmado premindo ligeiramente a ameixa com os dedos, ela deve estar ligeiramente cozida, mas ainda dura. Neste ponto a ameixa atingiu uma tonalidade amarela.

    Depois de cozida e distribuída pelos alguidares de calda a ameixa vai descansar num compartimento fechado e sem luz.

    Um ou dois dias depois, a ameixa volta ao lume, mas na sua calda, não em água. Assim, despejam-se os alguidares das ameixas com a calda nos tachos de cobre para voltar a ferver a ameixa durante, mais ou menos, 10 minutos.

    Enquanto a ameixa está a cozer na calda preparam-se alguidares de barro com escorredores. Depois da 2.º cozedura a ameixa é retirada com a “tiradeira” dos tachos de cobre para estes escorredores. A calda fica a ferver no tacho até atingir o 1.º ponto (também chamado de meio ponto), cerca de 3 minutos a ferver.

     

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  • Sobre a Fábrica Pina & Martins

    A Fábrica Pina & Martins foi fundada pela família do marido de Maria Costa nos anos 20 do século XX. Por decisão da família a fábrica fechou nos anos 80.

    A fábrica dedicava-se ainda à produção de outras frutas doces para além da ameixa - pêssegos, figos, alperces.

     

    Sobre a ameixa seca, a ameixa em calda e coberta

    As receitas das ameixas secas e em calda provêm das práticas conventuais que da Idade Média. “A tradição remonta pelo menos o século XVI havendo documentos relatando que as monjas claristas (de St. Clara) e dominicanas (de S. Domingos) confecionavam ameixas doces e cobertas, muito apreciadas.” (Fonseca & Simões, 2001:183).

     

     

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Identificação
  • Domínio
    • Competências em processos e técnicas tradicionais
  • Pina & Martins – Ameixa de Elvas
  • Maria José Costa
  • 1954
  • Reformada - anterior profissão comerciante
Contexto de produção
  • Pina & Martins - fábrica de ameixas doces
  • anos 20 séc XX
Contexto territorial
  • Elvas
Contexto temporal
  • Já não se encontra em funcionamento
Manifestações associadas
  • Arte do Papel Recortado

    Sericaia

  • Máquinas/Instrumentos utilizados

    Tachos de cobre

    Alguidares de plástico

    Alguidares de barro

    Escumadeira

    Tiradeira

    Escorredor

    Pegas

     

    Caixas de cartão com papel recortado

  • Pomares de Ameixa Rainha Cláudia (propriedade privada)

Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • inactiva
  • Maria José Costa

Direitos Associados
  • Não se aplica

  • Não se palica

Acções de Salvaguarda
  • A empresa fechou nos anos 80 do século XX, funcionou cerca de 60 anos.

  • Não se aplica

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Filomena Sousa - Inventário
  • Realização Filomena Sousa.Produção Memória Imaterial e Câmara Municipal de Elvas - Isabel Pinto; Leonor Calado; Patrícia Machado, Romão Mimoso.
Arquivo
  • Não se aplica
  • 4/Elvas/Terrugem

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