Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

Ronca de Elvas

Designação: Ronca de Elvas, produzida por Luís Pedras assistido por Domingos Arraia
Freguesia: Alcáçova e Assunção
Concelho: Elvas
Distrito: Portalegre
Data de recolha:
2013
 

Dados de inventário
  • Ronca de Elvas
  • A Ronca é o instrumento musical que acompanha os cantos de Natal em Elvas. Membranofone de fricção constituído por uma estrutura cilíndrica com uma pele esticada numa das aberturas. É percutido por uma cana fixada no centro da membrana. O executante, com a mão molhada, fricciona a cana fazendo vibrar a pele e produzir um ronco. Existe, com muitas designações (Ronca, Zamburra, Zambomba...), na Europa, África e América do Sul. Origem não identificada.

Caracterização
  • Ronca de Elvas

    Luís Pedras é, atualmente, o único artesão em Elvas a manter o fabrico de Roncas, numa cidade que já teve uma comunidade de oleiros e ceramistas (ainda existe a rua dos Oleiros). Foi introduzido na profissão de oleiro através de formações em cerâmica.

    A Ronca é o instrumento musical que acompanha os cantos de Natal em Elvas. Os homens juntam-se nos espaços públicos em grupos informais. Cada um traz a sua Ronca. Tocam em conjunto e cantam à vez, improvisando sobre uma base poética tradicional.

    Em Elvas, as Roncas guardam-se em casa e só são usadas perto do natal. “As Roncas não se emprestam” é um provérbio de Elvas que avisa quem empresta a sua ronca de que corre o risco que a devolvam danificada e imprópria para os cantes de natal.

    O Fabrico

    Cerâmica

    Prepara-se a “Péla”, pedaço de barro limpo, bem decantado, selecionado pela sua elasticidade, amassando até estar pronto para ser trabalhado. O barro era tradicionalmente extraído do Barreiro do Monte de Alcobaça, perto de Elvas. Hoje é adquirido comercialmente.

    Leva-se a Péla para a roda de oleiro, onde, com as mãos e a ajuda da cana d’oleiro, se molda o recipiente de barro que serve de caixa-de-ressonância ao instrumento. Este recipiente tem uma forma de base cilíndrica com as duas extremidades abertas. Numa das extremidades molda-se um rebordo, que ajudará a manter a membrana fixa. Este recipiente tem uma forma mais abaulada (feminina) ou mais direita (masculina) por escolha do artesão. O interior do recipiente é estriado para melhorar a qualidade sonora. A parede exterior é marcada por uma sequência de desenhos feitos com a ponta da cana de oleiro no barro fresco, enquanto o objeto gira na roda. Os desenhos imprimem a marca decorativa distintiva do artesão.

    Uma vez moldado, o recipiente é deixado a secar até estar pronto para a cozedura em forno.

    No forno, o barro é cozido numa lenta sequência ascendente de temperaturas. “O forno é o juiz”, diz Luís, realçando que a presença de pequenos defeitos no barro (como bolhas de água) marcarão as peças. Aos 300ºc a água começa a libertar-se do barro. Aos 600ºc o barro seca. A partir dos 900ºc termina a primeira cozedura do barro (Chacota) e inicia-se a segunda cozedura (Vidragem) que torna a peça impermeável e lhe dá a sonoridade. Este artesão fixa a temperatura final do forno (elétrico) em 1009ºc e aconselha que a sequência descendente da temperatura deve ser feita também lentamente para evitar problemas nas cozeduras das peças.

     

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  • "Das nove horas até à meia-noite de Natal percorrem as ruas da cidade diferentes grupos de homens do povo, cantando em altas vozes, em coro, e núm rhytmo e entoação especial, trovas ao Menino Jesus, acompanhadas pelo som àspero da ronca: alcatruz de nora, ou panella de barro, a cujo bocal se adapta uma membrana, ou pelle de bexiga, atravessada por um pau encerado, pelo qual se corre a mão com força para produzir um som rouco. Somente pelo Natal é este instrumento ouvido."

    PIRES, António Thomaz . "A noite de Natal, o Ano Bom e os Santos Reis” in Estudos e notas elvenses. António Torres de Carvalho. Elvas, 1923 ( 2ª ed.).

    Este instrumento encontra-se em diversas comunidades, na Europa, África e América do Sul. Origem não identificada.

     

Identificação
  • Domínio
    • Competências em processos e técnicas tradicionais
  • Ronca
  • Luís Pedras
  • Ceramista
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Elvas
Contexto temporal
  • Actividade aberta durante todo o ano
Manifestações associadas
  • Cantes de Natal em Elvas (Cante ao Menino)

  • A Ronca é um instrumento musical.

  • Não se aplica

Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Luís Pedras e comunidade de Elvas que participa nos Cantes de Natal (Cante ao Menino)

Direitos Associados
  • Luís Pedras - sobre as peças que cria.

    Os direitos coletivos são de tipo consuetudinário - comunidade local.

  • Luís Pedras - sobre as peças que cria.

    Os direitos coletivos são de tipo consuetudinário - comunidade local.

Acções de Salvaguarda
  • Luís Pedras é referido como o único produtor de roncas da região.

  • Não estão em execução acções de salvaguarda.

Equipa responsável
  • Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • José Barbieri
  • José Barbieri
Arquivo
  • Não se aplica
  • 4/Elvas/Elvas

 

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