O guião escrito tem origem no romance de cavalaria "História de Carlos Magno" publicado em francês no fim do sec. XV, o texto em que se baseia este auto foi traduzido e publicado em português (a partir da versão espanhola) no sec. XVIII. Apesar de ser clara esta origem literária do guião, o mesmo foi transmitido oralmente por várias gerações iletradas até voltar a ser fixado em texto por volta de 1940 por Leandro Quintas Neves. Provavelmente foi nesta altura que se redescobriu a relação deste espetáculo com o romance de cavalaria e se voltou a designar o exército invasor como "turco" em vez de "mouro" como é comum em tantas manifestações teatrais relacionadas com esta.
A performance remete para o teatro de tablados das épocas medieval, renascentista e barroca. Uma conceção desenvolvida a partir de textos, relatos e imagens de espetáculos similares um pouco por toda a Europa. De Gil Vicente ao Século de Ouro Espanhol reconstruiu-se uma ideia de espaço cénico para teatro de exterior que se adapta a este espetáculo, o que parece indicar uma origem para este auto algures entre os Sec. XIV e XV, à semelhança de outros que se encontram registados, como o Patum de Berga (Catalunha, 1454). Mas se notarmos as semelhanças (o tema, a propensão para o debate ideológico, a personagem-chave feminina) com o auto "Os Sete Infantes de Lara" que foi muito comum na região norte, Galiza e Leão, podemos recuar até 1130, a altura em que foi fixado em texto na Crónica Geral de Espanha escrita por Alfonso X, rei de Leão e Castela. Esta comédia (que tem a conotação de drama em mirandês) "Os sete infantes de Lara" foi representada em Portugal na zona de Miranda do Douro até ao sec. XX em tablados ao ar livre, bem ao modo medieval, ilustrando como nenhum outro exemplo a persistência de algumas performances tradicionais em localidades isoladas.
Mas, apesar destes indícios, a mais antiga referência escrita ao Auto da Floripes aparece apenas no sec. XIX no Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro para o ano de 1860, de Alexandre Magno de Castillo, que relata o drama de Ferrabrás e Floripes, já a realizar-se no mesmo lugar onde mais tarde é referenciado por outros autores. De notar que neste relato os participantes aparecem todos a cavalo desfilando lado a lado. O registo indica que se tratam de mouros (e não turcos) e que se vestem à moura embora os nomes dos personagens remetam para os turcos do romance acima referido.
O registo em filme deste auto efetuado em 1959 pelo Cine-clube do Porto apresenta ainda o sistema de tablado com plateia de ambos os lados e as bandas posicionadas nos extremos do tablado, atrás dos exércitos e do espaço de prisão (onde estão os soldados cativos). Regista ainda uma certa caracterização "colonial" do exército cristão (equipado com armas de fogo) face a um exército turco armado de espadas. As armas de fogo foram abandonadas no fim da década de 1960. Nesse filme aparece o último homem (António Miranda) a encarnar Floripes, o personagem feminino da peça. A partir de 1962, Maria Eulalia Viana torna-se a primeira mulher a desempenhar este papel. Susana Lima foi Floripes nos últimos 15 anos do Auto.
No registo de 2016, o espaço cénico deslocou-se para um dos extremos do largo das Neves, onde se montou um palco de grandes dimensões que é utilizado para uma série de espetáculos durante estas festividades, ao contrário do seu predecessor que só servia o Auto. Cristãos e Turcos enfrentam-se em danças com espadas e lanças, as prisões deslocaram-se para o centro recuado da cena e a banda ocupa o lugar logo à frente da boca de cena. A altura do palco passou para um metro, fazendo com que assistência se posicione mais atrás para ter visibilidade. Os personagens utilizam microfones portáteis reduzindo o problema da distância em relação ao espectador e o som de fundo habitual de um ajuntamento festivo.
É significativa a mistura de gerações entre os intervenientes e a juventude dos organizadores. As entrevistas dos praticantes revelam a importância identitária que esta manifestação tradicional mantém para a comunidade.
A partir de 1973, a deslocação de uma representação do auto a Lisboa a convite da Fundação Calouste Gulbenkian que também financia a publicação de um estudo sobre o Auto da Floripes, inicia-se uma época em que a comunidade aceita a deslocação da performance a outros espaços e contextos.