Ao Navegar
Ao navegar pelos nossos rios
Só nos causam calafrios,
Até nos faz confusão
Barcos em recreio, constantes,
Que mostram aos visitantes
Toda aquela poluição.
Os peixes vão prà[1] desova –
O governo não aprova
A pesca dentro da zona.
Mas antes de desovar,
Por entre a foz e o mar
Morrem e ficam à tona.
Mergulhadores clandestinos
Caçam muito, esses cretinos,
Estão pouco vigiados.
Vendem peixe aos restaurantes,
Filhos de homens importantes
E de outros afilhados.
O pescador encartado
Anda sempre pressionado
Pela fiscalização.
Utiliza gasóleo e isco,
Paga licenças e fisco:
Não pode ganhar o pão.
Os pescadores da minha terra
Querem paz, não fazem guerra,
Protestam com dignidade.
Mesmo assim, os governantes
Parecem que são amantes
Da mentira e da maldade.
Se um dia der para o torto,
Não confundam desconforto
Com a força da razão.
Se houver brigas e confusões,
Condecoram os ladrões
E põe os pescadores na prisão.
[1] Contracção popular para + a.