O pastor e a ovelhinha
O pastor ia com as ovelhas. E então ia para o monte com elas. Mas hoje morria-lhe uma, amanhã morria-lhe outra… E apegou-se com o Santo António – porque, como sabe, o Santo António é advogado dos animaizinhos. E prometeu ao Santo António:
- Ó Santo Antoninho… Se não me morrer mais nenhuma, eu dou-te uma ovelhinha.
O pastor passou-se hoje, uns dias, e tal… e não lhe morreu mais ovelha nenhuma. Como não morreu mais nenhuma ovelha, ele o que é que faz? Pensou:
- Tenho que dar uma ovelha ao Santo António.
E lá prendeu a ovelha com uma cordinha, vai para a igreja e dá a ovelhinha ao Santo António, não é? Agradecer-lhe por não lhe ter morrido mais nenhuma.
Ele, virando-se para o Santo António:
- Ó Santo Antoninho, fizeste um milagrinho muito grande, pá! Agora, pega lá a ovelhinha.
Ele, nada; o Santo António, nada. Diz:
- Ó Santo António, pega a ovelhinha que eu te prometi!
Ele, nada. Dava-lhe a corda! O Santo António não pegava na corda… O que é que ele faz? Prende a corda ao Santo António. E prende a corda e ficou lá a ovelha. Mas a ovelhinha… O pastor começou a subir por a igreja acima e a vir embora, a ovelhinha começou a olhar para ele – para o pastor. E vinha no adro e vem a ovelhinha atrás do pastor com o Santo António. E ele olhou assim para trás, diz assim:
- Então? Dei-te a ovelhinha, tu não querias e agora vens atrás dela?!