MEMORIAMEDIA

e-Museu do Património Cultural Imaterial e Memória

 

nome:
Angelina Fernandes
nascimento:
 
freguesia: Castro Laboreiro
concelho:
Melgaço                             
distrito:
Viana do Castelo
registo: 2022
 
 
 

Inventário PCI
Acompanhamentos Invisíveis

Relato sobre Acompanhamentos – a reunião dos espíritos dos vivos para irem à porta daqueles que estariam prestes a falecer.

Caso real que reflete a crença no duplo (alma fora do corpo; presságios de morte).

Transcrição

Eles até eram os vivos, mas iam só com o pensamento. As pessoas não iam mesmo as próprias, ia o espírito delas. Era o espírito delas que saía daqui e iam à porta do que estava para morrer. Mas não iam elas, só ia o espírito delas! As pessoas eram pessoas vivas, mas ia o espírito delas, o pensamento. Iam no pensamento buscar a outra pessoa que estava a morrer. 

Então a minha tia era muito afoute, muito atarracada. Era assim resolvida para as coisas, não tinha medo. Então saiu daqui da vila de onde estamos, para um lugarzinho acima, a dois quilómetros longe daqui. Ia assim por um caminho arriba, (...) [que] lá está ainda e estará até sempre. (...) Como moía e não tinha um moinho na casa - agora já tínhamos, mas antigamente não tínhamos. Eu ainda me [lembro] de ir ao moinho buscar sacos de farinha, para cozer, mesmo o centeio, para cozer o pão para comer. 

Nós vivíamos com coisas naturais, não vivíamos, como há agora, com coisas artificiais. Eram naturais. Trabalhávamos nós e colhíamos o centeio, chegávamos e fazíamos-lhe tudo e malhávamos e depois tínhamos centeio para botar aos animais e para [comermos]. 

Então, a minha tia saiu daqui era meia-noite e foi colher um saco de... até era um fole. Porque antigamente matavam as cabras e depois faziam daquilo [da pele] sacos. Punham-nos a curtir como elas sabiam, na corte, (...) e depois punham-nos a curtir na corte dos animais. E botavam-lhe sal e vinho e essas coisas, a curtir. Depois lavavam e aquilo ficava um fole para colher, para levar farinha, para levar centeio, para levar tudo. E a gente antes como não tinham sacos, vingavam-se daquilo. Faziam aquilo e aquilo durava muito. Não se picava nem nada, então levavam aquilo.

Caraterização
Identificação
Tradições e expressões orais
Angelina Fernandes
Contexto de produção
Contexto territorial
Castro Laboreiro
Castro Laboreiro
Melgaço
Viana do castelo
Contexto temporal
2022
Património associado
Contexto de transmissão
Equipa
Laura del Rio, Paulo Correia
José Barbieri
Filomena Sousa, José Barbieri

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