- "Era um rapaz e uma rapariga que eram do Ribeiro. Então eles gostavam um do outro e queriam casar, mas os pais não [aprovavam]. Ou o rapaz era do Ribeiro e a rapariga não era. Os pais uns e dos outros não queriam que eles casassem. Então o rapaz fugiu com a rapariga para o Quinjo. Mas os pais botaram-lhe uma praga que ela se tornasse uma serpente. Quando eles passavam, o rapaz tinha que lhe ir dar um beijo, mas era tão assustador o barulho que ela fazia, que ele chegava lá e tinha medo. Não conseguia dar-lhe o beijo ou chegar-se à rapariga. E o rapaz disse: «Tenho de ser capaz.».
E como o barulho era tão [forte], diziam que ecoava. Porque o rio fica cá em baixo e aquilo é assim uma ladeira enorme para cima e depois tem as árvores todas à volta. Então o barulho da serpente que era tão grande, tão grande que se ouvia muito longe, muito assustador. E que cada vez que o rapaz tentava, chegava a meio do caminho e já tinha medo e dava a volta.
Mas ela chegou a um momento que lhe disse: «Tão amaldiçoado tu sejas como eu.». E ficaram então os dois presos no Quinjo.
Ainda hoje, dizem, que se ouve o barulho da serpente."