Amarrar à roda do leme
Até que um dia, morreu – um temporal – morreram vinte e quatro homens numa lancha! Vinte e quatro homens numa lancha! […] Viram logo que ele que tinha virado de vela. Um ciclone. Iam para o mar com ciclones! Quando os outros, na costa toda, não saíam nem da Barra para fora. Foi uma lancha, duas lanchas para sair em socorro deles. Se saísse, tinha-os socorrido. Uma foi ao fundo, outra ficou em meio. Mas lanchas mais fortes que traineiras! Vinte e cinco homens! Vinte e cinco homens numa traineira, não se pode passar lá dentro!
Um – foi o que contou – quando a lancha virou, veio a noite, amarrou-se com a faixa à roda do leme, a um feixe que tem o leme; a uma anilha. Amarrou-se e disse:
- Amarrai-vos todos, que pode alguém amanhã, de dia, nos safar. -ele.
-Amarramos no mastro! Como estamos perto aqui do farol…-do farol de Viana, que é o Montedor! -Nós estamos…
Mas o farol de Montedor, que se vê muito longe. O farol de Montedor vê-se em Matosinhos! Ora, eles estavam ali perto, estavam aqui ao mar de Viana, estavam pertinho! Mas estavam longe.
- Não vão, que ides morrer todos!
Ao outro dia, veio o dia. Passa um navio alemão… Isto foi contado pelo… por esse. Passa um navio alemão e o capitão viu aquele homem… Se não tem o homem, o navio seguia sempre! Mas como estava um homem, é obrigado a ir buscá-lo! Veio acolá…
- Está acolá um homem, parece-me que ainda está vivo.
Foram buscá-lo, meteram-no no navio e foram para Vigo. Quando chegaram em Vigo, viu logo que ele que era português. Comunicaram para aqui, foi… Seis de uma casa! Seis pessoas de uma casa!