Saudades do marido
Era uma senhora; tinha-lhe falecido o marido. Depois ela, coitadita, tinha muitas saudades pelo marido. E diz que, à noite, punha-se a conversar com ele:
- Ai, homem… Tanto gostava de te ver… Se tu pudesses vir ter comigo… Nem que viesses pelo telhado… -ela todos os dias com aquela conversa.
Tinha lá um vizinho… O vizinho diz assim:
- Espera lá, que eu vou conversar contigo…
O vizinho um dia mudou de voz, diz assim:
- Ó mulher, eu tal dia venho conversar contigo. Tanto queres conversar comigo, eu venho! Mas olha que eu venho pelo telhado.
- Ai, homem, isso é que eu queria ver… Isso é que eu queria ver, homem!
Então o vizinho lá lhe disse o dia que vinha. Lá foi por cima pelo telhado… Tirou uma telha… E – com licença – desceu as calças e assapou – com licença – o rabo em cima da telha. E ela pôs-se a olhar para ele, diz assim:
- Ai, homem, como tu estás! Estás tão desfigurado… Tens uma cara tão feia e um nariz tão comprido…
Estava desfigurado… Então? Tinha uma cara tão feia e um nariz muito comprido!