O meu corpo já vergado
«O meu corpo já vergado
isso são vestígios da idade.
E tudo se espalhou como o vento.
Os tempos da mocidade.
A certa velocidade
e o tempo passa por nós
e enfraquece a nossa voz
e até a vivacidade.
A caminho da finalidade
ficam recordações do passado
no nosso cérebro gravado.
E alguns tempos de folia
e adquire-se no dia-a-dia
o meu corpo já vergado.
O tempo passa correndo
com um certo desembaraço
e traz à pessoa o cansaço
os anos que vai fazendo.
Assim se vai apercebendo
e da grande realidade
e desta prova da verdade
e que acontece à criatura
de que um corpo já com tortura
são vestígios da idade.
Recordamos os tempos de infância,
os tempos de namorados,
mas ficamos de braços cruzados
fica para trás à distância.
Mas sem haver tolerância
tudo nos vem ao pensamento,
mas desfeito pelo tempo
mesmo aquilo que era meu
abalou, desapareceu,
tudo se desfez como o vento.
Todo o tempo é uma corrida
a nossa passagem singela.
Recordando a vida bela
faz a sua despedida.
Até os prazeres da vida
abalam com facilidade
porque o tempo tem liberdade
e pode-nos dar um castigo
e os anos levam consigo
os tempos da mocidade.»
Horácio Luís Pereira, Grândola, Fevereiro de 2007