MEMORIAMEDIA

e-Museu do Património Cultural Imaterial e Memória

O site está em manutenção. Alguns conteúdos poderão estar indisponíveis. Seremos breves.

Expressões Orais

Contos, cantos, lendas, adivinhas, provérbios e outras expressões orais, incluindo a língua como vector do património cultural imaterial.
Conteúdos organizados por concelho/informante.

 

nome:
Luísa de Jesus
nascimento:
1931
freguesia: Mora
concelho:
Mora                                        
distrito:
Évora
registo: 2007
 
 

Inventário PCI
A bicharada

Mora

"A bicharada" - Da (in)disposição de alguns animais em dia de São Martinho.

Luísa de Jesus; Mora; Concelho de Mora, Évora

Registo 2007.

Conto cumulativo (não classificável).

 

Classificação: Paulo Correia (CEAO/ Universidade do Algarve) em Julho de 2007.
Transcrição
Bicharada

 

Olhe, era da bicharada. Ele disse assim, dizia assim:

– Eu hoje 'tou muito apoquentado!

– Atão? Porquê?

– Porque deixei o sardão de cama, ca cabeça escavacada! Dei-lhe um saco de tanta pancada... – Que atirou com ele à lama.

E salta a minhoca de fama, visto de uma cama que até dobra! E dizia:

– Se este barulho n' acaba, ainda aqui trago más obras!

Salta a mérula lá da ramalheira, num macaco aos sopapos! Era dia de São Martinho, ela já estava com a bebedeira, e toca no macaco aos sopapos. E o que é que acontece? Ao macaco ardiam-lhe os sopapos e dizia:

– Olha! Atão quando este buliço armou... Houve bastante razão pra isso!

Mérula – Foi por causa de um ouriço que comeu e na' pagou!

Vem de lá a cobra! Vem de lá a cobra e enrresta co cuco. E o cuco disse assim:

– Olha, eu agora vou aqui fazer uma açudeca! Olha, vou espetar o biquinho da navalha no bandulho da cobra! – Disse o cuco!

Veio de lá o latibó e disse:

– Olha que eu sou o latibó! Se o barulho n'a acaba, eu faço-te os ossos em pó!

Cuco – Ai, ai! Lá vai o cuco deserdado pò campo da manorra por ter espetado só o biquinho no bandulho da cobra!

E o latibó disse:

– Cá vai! Cá vai! Cá vai! Eu tenho de ir provar o bom vinho, que é dia de São Martinho! Se o barulho n'acaba, eu faço aqui um grande barulhinho! E faço os ossos em pó: sou o latibó!

Bom e vinha um rapazinho, de sobreira em sobreira, a ouvir aquela coisa – e com medo! – que era a bicharada toda! A'pois o rapazinho espreitava assim, atrás dos sobreiros... O que é que acontece? Viu um passarinho a entrar pra dentro do talouco(9), assim dum buraco no sobreiro... E foi e disse assim:

– Olha, entrou pr'aqui um passarinho...

E atão o rapazinho meteu a mão no talouco... 'Tava lá um ninho. Ele contente, andava louco! Mexia-lhe: ele não mordia! E ia dizendo:

– O passarinho é meu! Mexi-lhe, ele não me mordeu! E o passarinho é meu! E o passarinho é meu...

E vai o passarinho zangou-se, deu um avão e desapareceu!

Bendito louvado, parece que o continho está acabado!

 

Luísa de Jesus, 76 anos, Amieiras (conc. Mora), Junho 2007.

 

Caraterização
Identificação
Tradições e expressões orais
Manifestações literárias, orais e escritas
A bicharada
1931
Luísa de Jesus
Contexto de produção
Contexto territorial
Mora, Casa da Cultura de Mora
Mora
Mora
Évora
Portugal
Contexto temporal
2007
Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Mora e escolas
Património associado
Transmitidas aos serões, em quotidianos de trabalho e lazer.
Contexto de transmissão
ativa

Contadores de histórias participam em iniciativas do Município de Mora. São convidados para participar na inicativa Palavras Andarilhas. Vão a escolas, lares e bibliotecas. Participam em iniciativas do Fluviário de Mora e da Casa da Cultura. Destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas desde 1999:

- Encontro de Contadores e Histórias - 1999 a 2005

- Ti Tóda - Conta-me eum conto, estafeta de contos - 2001 a 2004

- As lendas vão à escola - 2005

- O Talego Culto - 2007

- O Talego ambiental - 2007 a 2008

- Comunidade do Canto do Lume

Português
Equipa
Maria de Lurdes Sousa
José Barbieri
José Barbieri

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