Não faças mal a ninguém
Não faças mal a ninguém
mesmo que tenha razão.
Se pagares o mal com o bem
praticas uma boa acção.
O fazer mal é errante(1)
e o fazer mal está errado.
E quem o fizer é culpado
de provocar o semelhante.
Provoca uma dor constante
eu tenho a certeza, porém
nunca trates com desdém
e trata sempre com carinho
pra(2) seguires esse caminho,
não faças mal a ninguém.
Se algum dia te acontecer
por outro seres ofendido
nunca deves tirar partido
de quem é fraco no saber.
Tu deves compreender
que são falhas da ocasião.
Perdoa, se tiver perdão.
Mantém-te calmo e sereno
e não abuses do mais pequeno
mesmo que tenha razão.
Uma vez que a violência
só traz é erros na vida
nesta carreira seguida
e neste mundo de ciência.
Corre perigo na eminência
é rude esse que a têm.
Repara que mais além
um crime é praticado
mas és por todos elogiado
se pagares o mal com o bem.
Respeita para seres respeitado
e nunca pises maus trilhos.
E evita quaisquer sarilhos
se a isso fores obrigado.
Toma quartel(3) e cuidado
nunca dês passos em vão.
Ajuda qualquer ancião
sem precisares de uma aviso.
Se ajudares quem tem preciso
praticas uma boa acção».
Manuel Augusto Francisco (Rusga), Grândola, Fevereiro de 2007
Glossário:
(1) Errante – ignorante, sem bom senso.
(2) Pra – abreviatura oral de “para a”.
(3) Toma quartel – no caso, advertência para prestar atenção.
Para a execução deste glossário consultaram-se as seguintes fontes: http://www.priberam.pt; http://www.infopedia.pt/; http://aulete.uol.com.br