Pedido de casamento
«- Bom dia, senhora Maria! Então, para onde caminha?
Logo de manhã, tão cedo, mais a senhora Rosinha?
Vai por aí à estação, à procura da sardinha?
- É verdade, Senhor João, eu tenho que madrugar.
Sou uma pobre viúva, tenho filhos a governar.
- Já me tenho alembrado disso, mas não me atrevo falar.
Logo estamos aqui presentes, vamos agora a conversar.
Ao Fundão é que nós vamos a casar! A empregada do civil, casa-nos em particular.
Já muita gente dizia, que eu que não arranjava rapariga,
mas já sei que vou gozar, as delícias desta vida.
- Tome lá dinheiro pago(?), que eu disso não quero saber,
o dinheiro que lhe sobrar , faça o que lhe aparecer.
- Já muita gente dizia, que eu que não arranjava rapariga.
Mas já sei que vou gozar, as delícias desta vida!
Siga o carro para a frente, vamos lá para o Fundão!
Já aqui vais ao meu lado, prenda do me’ coração.
- Olha! Olha o diabo do velho! Ainda (…) que tem
Quem ouvir isto falado, julgará que é alguém.
Vá tratar destes papéis, que estes ainda não estão bem!»
Mariana Leitão, Zebreira, Idanha-a-Nova, Setembro de 2010